30 janeiro, 2007

Colecção Numismática


O Münzkabinett é uma das maiores colecções do seu género, com cerca de meio milhão de objectos, e deve a reputação internacional à diversidade e à dimensão da série de moedas, que abrange desde os princípios da cunhagem de moeda na Ásia Menor, no século VII a.C., às moedas e medalhas do século XXI.
Por ocasião do centenário do
Museu Bode, a Colecção Numismática foi cerimonialmente reaberta em 22 de Outubro de 2004, depois de seis anos de restauro.
Até à reabertura total do
Museu Bode, em 2006, apenas parte da colecção está acessível ao público; entretanto, a colecção é apresentada numa exposição permanente de 2000 moedas antigas, no Museu de Pérgamo; uma selecção de moedas está também em exposição no Museu Antigo e no Museu da Pré-História.
Entre as peças mais significativas da Colecção Numismática, incluem-se 102 mil moedas gregas e cerca de 50 mil da Roma antiga; 160 mil moedas europeias desde a Idade Média até à actualidade e 35 mil moedas orientais e islâmicas; há ainda 25 mil exemplos de medalhas, que começaram a desenvolver-se como forma de arte por volta do ano 1400.
A colecção inclui ainda papel-moeda, selos históricos da Idade Média e exemplos de diferentes tipos de dinheiro usados por povos primitivos, para além de mais de 15 mil ferramentas de cunhagem.

29 janeiro, 2007

Colecções de CDS


Existem vários tipos de colecções como sabem, uma delas é de Cds.

De tanto que se fala em não podermos andar com cópias de cds no carro e para os coleccionadores de cds, decidi fazer uma pesquisa e o que a lei diz é que:


Quando a reprodução de um cd se enquadra no conceito de "cópia privada" e que, conforme é referido no art.º 81º, b) do Código dos Direitos de Autor e
Direitos Conexos, não atinja a exploração normal da obra, esse tipo de
cópia é consentido
.


Ou seja, se copiarem o cd para vocês próprios ou para um amigo e só tiverem
uma ou duas cópias, seja no carro ou no bolso de trás, não há infracção.
Agora se tiverem 40.000 cópias, enfiadas num saco preto, com as respectivas caixas e capas sacadas da net, como fazem as pessoas duvidosas...aí talvez já haja um grave problema de "exploração anormal da obra".


Por isso aqueles e-mails que circulam por aí são falsos, talvez até lançados por
alguma editora, que pretende amedrontar as pessoas, visando diminuir o
número de cópias e aumentar a venda de originais.


Atentem na Lei:
Código dos Direitos de Autor e Direitos Conexos
Artigo 81º - Outras utilizações
É consentida a reprodução:


a) Em exemplar único, para fins de interesses exclusivamente
científico ou humanitário, de obras ainda não disponíveis no comércio ou de
obtenção impossível, pelo tempo necessário à sua utilização;
b) Para uso exclusivamente privado, desde que não atinja a
exploração normal da obra e não cause prejuízo injustificado dos interesses
legítimos do autor, não podendo ser utilizada para quaisquer fins de
comunicação pública ou comercialização.



Definição de CD.


CD é a abreviação de compact disc (disco compacto). É atualmente o mais popular meio de armazenamento de dados digitais, principalmente música comercializada e software de computador, caso em que o CD recebe o nome de CD-ROM. A tecnologia utilizada nos CDs é semelhante à dos DVDs.
A partir do final da década de 1980 e início da década de 1990, a invenção dos compact discs prometeu maior capacidade, durabilidade e clareza sonora, sem chiados, fazendo os discos de vinil serem considerados obsoletos.
Com a banalização dos discos compactos, a consecutiva banalização de gravadores de CD's permitiu a qualquer utilizador de PC gravar os seus próprios CDs, tornando este meio um sério substituto a outros dispositivos de backup. Surgiu assim a banalização dos discos virgens (CD-R), para gravação apenas, e os discos que podem ser reescritos (CD-RW). A diferença principal entre estes dois é precisamente a capacidade de se poder apagar e reescrever o conteúdo no segundo tipo, característica que iria contribuir para o desaparecimento dos disquetes como meio mais comum de transporte de dados. Efetivamente, um CD é agora capaz de armazenar conteúdo equivalente a mais de 486 disquetes de 3 1/2 (com capacidade de 1,44 MB), com muito maior fidelidade - uma das características negativas dos disquetes era a reduzida fidelidade destes, já que facilmente se danificavam ou corrompiam, Ex: Exposição ao calor, frio e até mesmo a proximidade a aparelhos com campo magnético como celulares.
A Philips foi a principal empresa responsável pela criação/desenvolvimento do CD-ROM. Depois, outras empresas como a Sony e a TDK entraram rápidamente na nova geração digital.

CD
Um CD é um disco de acrílico, sobre o qual é impressa uma longa espiral. As informações são gravadas em furos nessa espiral, o que cria dois tipos de irregularidades físicas: pontos brilhantes e pontos escuros. Estes pontos são chamados de bits, e compõem as informações carregadas pelo CD.
A leitura destas informações é feita por dispositivos especiais, que podem ser CD Players ou DVD Players. A superfície da espiral é varrida por um laser, que utiliza luz no comprimento infravermelho. Essa luz é refletida pela superfície do disco e captada por um detector. Esse detector envia ao controlador do aparelho a seqüência de pontos claros e escuros, que são convertidos em "1's ou 0's", os bit's (dados binários). Para proteger a superfície do CD de sujeira, é colocada sobre ela um disco de plástico especial.


Camadas físicas


Um CD contém quatro camadas: a primeira consiste no rótulo, conhecida como camada adesiva; a segunda é uma camada de acrílico, que contém flavio os dados propriamente dito; a terceira é uma camada reflexiva composta de alumínio e, finalmente, uma quarta, chamada de camada plástica, feita de policarbonato.
A cor prata que vemos no CD é o resultado da soma das camadas de gravação e reflexão.
Em um CD-R, a composição das camadas é diferente, para que a mídia possa ser gravada usando um sistema caseiro.

26 janeiro, 2007

Minas da Borralha











Minas da Borralha tornam-se núcleo museológico
PUBLICADA: 27/10/2003



Desactivadas em 1986, as minas de volfrâmio da Borralha, em Montalegre, deverão a breve prazo ser recuperadas e transformadas em núcleo do Ecomuseu do Barroso. A Câmara Municipal de Montalegre está apostada em levar a cabo esse projecto, tanto mais que nas instalações das minas, tidas como das mais bem conservadas em território nacional, encontram-se diversos equipamentos raros, para além de um vasto arquivo, que deverá ser disponibilizado ao público. De acordo com a edilidade, que considera que as minas têm todas as condições para se transformarem no principal núcleo do Ecomuseu do Barroso, o projecto pode beneficiar de verbas públicas, nomeadamente via Agris, um programa que integra preocupações de recuperação de património, embora não seja essa a sua vocação principal.





Estamos em 2007 correcto?

Este meu Blog tera sempre a vertente de mostrar coisas antigas, tipos de colocções, metodos de conservação, etc, etc, e quem conhece esta terra, sabe que tem uma história e um valor coleccionavél único, por isso digno de um bom coleccionador.
Sejemos todos coleccionadores de uma coisa única, as Minas da Borralha.

Estamos em 2007 correcto?

UM POUCO DE HISTORIA DE PORTUGAL

D. AFONSO I
O FUNDADOR
1128 – 1185


D Afonso I ou D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, nasceu presumivelmente em Guimarães em 1109. Filho do conde D. Henrique de Borgonha e de D. Teresa, filha de Afonso VI de Leão, apenas com 14 anos de idade armou-se cavaleiro na si próprio. Devido ao ascendente que o conde galego Fernando Peres, valido de D. Teresa, tomou no governo do Condado Portucalense, o infante revoltou-se, com alguns barões portucalenses, conta a sua mãe e, na batalha de S. Mamede, em 1128, entre as duas forças, o governo do condado passa para as mãos de Afonso Henriques. Em 1139 o jovem príncipe intitula-se rei e vence os mouros na batalha de Ourique. Consegue em 1143 que o Imperador Afonso VII o reconheça como rei. Em 1146 casou com D. Mafalda, filha de Amadeu II, conde de Sabóia e do Piemonte. Em Março de 1147 Conquistou Santarém e, em Outubro, Lisboa. Foi político astuto e guerreiro denodado. O nome de Ibn Arrique (filho de Henrique) infundia terror respeito aos mouros, e Ibn Qací – que bateu moeda muçulmana em Mértola e depois em Silves – procurou, em 1151, a sua aliança, quando sentiu perigo perante os berberes Almoádas. O Papa Alexandre III, por bula de 1179, confirmou o título de rei, usado por Afonso Henriques, e o domínio de todos os territórios por ele conquistados aos mouros. Morreu em Coimbra a 6 de Dezembro de 1185 e foi sepultado na Igreja de Santa Cruz, Conforme a sua determinação expressa. Este rei lavrou, com o nome Afonso, as primeiras moedas portuguesas, o que é fortemente indiciado pela hesitação na escolha dos tipos, bastante diferentes, pelo menos numa das faces, daqueles que irão seguir-se.

D. SANCHO I
O POVOADOR
1185 – 1211


Nasceu em Coimbra a 11 de Dezembro de 1154 o que foi segundo rei de Portugal. Filho de D. Afonso Henriques, foi armado cavaleiro por seu pai na mesma cidade, em 15 de Agosto de 1170. Casou com D. Dulce de Aragão, filha de Ramon Berenguer, conde de Barcelona e, por morte de D. Afonso I, foi aclamado rei em 6 de Dezembro de 1185. A actividade que desenvolveu para expulsar os mouros do território entre o Tejo e o Guadiana resultou num fracasso militar pois, além de perder as conquistas já efectuadas no Algarve, não conseguiu impedir que os Almóadas reconquistassem todos os territórios a sul do Tejo. A fronteira de Portugal passava assim a ficar ao norte do que aquela que recebera por herança. Contudo, o título de Povoador com que a História o premiou, mostra-nos que esta sua actividade beneficiou de tal modo o País que apagou a lembrança da sua actividade militar. Levantou castelos, erigiu conselhos, fundou vilas e aldeias e atraiu numerosos colonos estrangeiros: deu quase 50 cartas de foral. Passou os últimos anos de vida em contendas com o clero, das quais este saiu vencedor. D. Sancho morreu em Coimbra em 26 de Março de 1211 e jaz na Igreja de Santa Cruz.

D. AFONSO II
O GORDO
1211-1223


Terceiro rei de Portugal, filho de D. Sancho e de D. Dulce de Aragão, nasceu em Coimbra em 12 de Abril de 1185. Em Fevereiro de 1209 casou com D. Urraca, filha de Afonso VIII de Castela, tendo sido aclamado rei, por morte de seu pai a 27 de Março de1211. Começou o seu reinado reunindo cortes em Coimbra. Em 1212 enviou como auxílio ao sogro um troço de cavaleiros e infantes, que se juntou às várias forças reunidas em Toledo para a célebre batalha das Navas de Tolosa, a 16 de Julho desse ano, a qual foi um golpe de misericórdia no domínio almóada da Península. Foi também importante a reconquista de Alcácer do Sal, em 18 de Outubro de 1217, perdida por D. Sancho I em 1191. Foi político muito enérgico e muito cioso da autoridade real, que procurou sempre fortalecer. Sem índole guerreira, teve uma acção muito importante como legislador. Entrou em litígio com as irmãs, exigindo-lhes a obediência dos seus senhorios à coroa e o pagamento dos seus diretos, o que levou à interdição do Reino por mais de um ano, por breve pontifício. Criou Inquirições e Confirmações de direitos e posses de terras. Dos ódios que a sua política provocou veio a ser vítima o seu sucessor. Morreu em Coimbra a 25 de Março de 1223 e foi para jazida no Mosteiro de Alcobaça, por sua disposição.

D. SANCHO II
O CAPELO
1223 – 1248


O primogénito de D. Afonso II nasceu em Coimbra em 1209. Quarto rei de Portugal, sucedeu na coroa a seu pai, em 25 de Março de 1223. Casou com D. Mécia Lopez de Haro, mulher de rara beleza, viuva de Álvaro Peres de Castro e filha de Lopo Dias de Haro, o Cabeça brava, senhor da Biscaia. Continuou a conquista do Alentejo com Elvas, Juromenha, Cerpa, Moura e Mértola e cortou o Algarve junto ao Guadiana, deixando o barlavento impedido de receber a ajuda andalusa. Bravo e generoso, D. Sancho II foi, porém, mal governante, permitindo que os fidalgos praticassem violências e abusos. Vitima de intriga de que não soube sair, e com o reino em completa anarquia, foi acusado pelo clero de imoralidade e incapacidade, com queixas para Roma. Ademostado diversas vezes pelo Papa, os bispos portugueses ao Concílio de Leão, de 1244, expuseram a situação do País, o que levou Inocêncio IV a depor Sancho II do governo de Portugal, entregando-o ao irmão D. Afonso, conde de Bolonha. Reduzido á condição de rei sem reino, D. Sancho II foi a Castela pedir socorro, o que o Bolonhês neutralizou com o argumento que os invasores ficariam sujeitos a excomunhão papal. O rei acabou, assim, por se recolher a Toledo, onde morreu a 4 de Janeiro de 1248.

D. AFONSO III
O BOLONHÊS
1248 - 1279


Quinto rei de Portugal, D, Afonso III nasceu em 1210 em Coimbra. Saiu para França ainda muito novo, onde casou com a condessa de Bolonha, D. Matilde, viúva de Filipe Hurepel, o Crespo. O clero e a nobreza influenciaram o Papa a nomeá-lo regente do reino em 21 de Setembro de 1245, e, por morte de seu irmão o conde de Bolonha fez-se aclamar rei, de acordo com o disposto do testamento de seu pai, D. Afonso II. Contraiu segundo matrimonio com D. Beatriz de Gusman, filha natural de D. Afonso X de Castela e de Maria de Guillen, sendo ainda viva D. Matilde. Tendo esta feito queixa ao Papa, foi o reino excomungado, por adultério do monarca, situação que veia a resolver-se com a morte de D. Matilde , em 1258. D. Afonso III foi, no dizer do cronista, muito bom rei e “ justiçoso “. Concretizou a natural definição do território português com a conquista da restante parte do Algarve. Convocou cortes em Leiria em 1254, nas quais pela primeira vez teve voto o Terceiro estado, representado pelos procuradores dos concelhos; reestruturou a moeda na base da libra-padrão; defendeu o património da coroa por meio de confirmações régias, em regiões a norte do Tejo no ano de 1258; Lisboa passou a ser a capital do País. Apesar de dever ao clero a sua designação para o governo do Reino e a resolução favorável do seu segundo matrimónio – era parente de D. Beatriz em grau próximo -, teve vários conflitos com o poder eclesiástico, derivados das inquirições que fez e que mostraram usurpação de terras, motivo por que também teve o reino interdito pelo núncio papal. Morreu em Lisboa a 16 de Fevereiro de 1279 e o seu túmulo encontra-se no Mosteiro de Alcobaça.

D. DINIS I
O LAVRADOR
1279 – 1325


O sucessor de D. Afonso III nasceu em Lisboa a 9 de Outubro de 1261 e foi aclamado rei a 16 de Fevereiro de 1279, por morte de seu pai. Em 24 de Julho de 1282 casou com D. Isabel, filha de Pedro de Aragão, mais tarde a Rainha Santa. D. Dinis foi dos soberanos mais ilustrados da sua época. Se até ao seu reinado as lides da guerra tinham sido o grande entretenimento e prazer, as artes, quase abandonadas, começaram então a animar-se. Foi poeta e fundou, antes de 1290, a primeira instituição universitária do País, o Estudo Geral, de Lisboa. Desenvolveu a agricultura, o comércio, a navegação e a indústria. O final do seu óptimo reinado foi em parte ofuscado por guerras civis. Primeiro, seu irmão D. Afonso, senhor de Portalegre, pretendia herdar a coroa, alegando o nascimento de D. Dinis ainda em vida da condessa de Bolonha. Depois foi o filho, príncipe D. Afonso, que se revoltou, excitado pelo ciúme de que era causa a afeição que D. Dinis testemunhava ao filho bastardo Afonso Sanches. D. Isabel, a Rainha Santa, foi a grande mediadora nestas contendas infelizes. D. Dinis faleceu em Santarém em 7 de Janeiro de 1325 e os seus restos mortais repousam em túmulo no mosteiro de Odivelas.

D. AFONSO IV
O BRAVO
1325 – 1357


D. Afonso IV, sétimo rei de Portugal, nasceu em Coimbra a 8 de Fevereiro de 1291. Casou com D. Brites, filha de Sancho IV de Castela, em 1309. O seu reinado, mercê das qualidades de administrador de que deu provas, teria deixado na História excelente nome, se o não houvesse manchado, nos últimos anos, com o bárbaro assassínio de D. Inês de Castro, em 1355. Tinha génio violento, irascível e vingativo, mas por outro lado demonstrou ser dotado de prudência e valor, como ao socorrer o rei de Castela, seu genro, contra o rei mouro de Granada, Yúsuf I, e o seu aliado, o imperador merínida de Marrocos, Abu-I-Hassan ‘ Ali, a quem derrotaram na célebre batalha que os espanhóis chamam de Tarifa, e os portugueses, do rio Salado (1340). D.Afonso IV era de costumes austeros e foi o primeiro rei português que não teve filhos bastardos. Morreu em Lisboa a 28 de Maio de 1357 e o seu túmulo encontra-se na Sé desta cidade.

D. PEDRO I
O JUSTICEIRO
1357 – 1367


Nasceu em Coimbra, a 18 de Abril de 1320, o oitavo rei de Portugal, D. Pedro I. Em Fevereiro de 1336 casou com D. Constança Manuel, filha do duque de Penafiel e neta materna de Jaime II de Aragão. Falecida esta princesa em 1345, D. Pedro passou a viver maritalmente com D. Inês de Castro, Filha bastarda de Pedro Fernandes de Castro, de quem teve quatro filhos. Invocando razões de Estado ligadas à família de Inês, três conselheiros de D. Afonso IV propuseram a morte desta, ao que o soberano acabou por aceder e eles próprios concretizaram. Alucinado com este crime, o então infante pegou em armas contra seu pai, mas acabou por lhe prestar obediência. Quando subiu ao trono em 28 de Maio de 1357, foi um dos seus primeiros actos reclamar os assassinos de Inês, refugiados em Castela, conseguindo dois, de quem tirou cruel vingança. Mais tarde fez a coroação de D. Inês morta, Transladando o féretro do Mosteiro de Santa Clara em Coimbra, para um magnifico túmulo no mosteiro de Alcobaça, e fez declaração publica de que tinha casado clandestinamente com ela. Dotado de grande rectidão, chegava por vezes á crueldade, açoitando por suas próprias mãos aqueles que incorriam na sua ira. Conservou a paz no reino e desenvolveu o comércio, a agricultura e as artes. Faleceu em Estremoz a 18-1-1367 e jaz na Igreja do Mosteiro de Alcobaça, em túmulo semelhante ao de Inês.

D. FERNANDO I
O FORMOSO
1367 – 1383


D. Fernando nasceu em Coimbra a 31 de Outubro de 1345. Nono rei de Portugal e último da primeira dinastia encontrou, ao subir ao trono, uma grande fortuna em ouro e preta que, com as rendas das alfândegas e os direitos reais, o fez o mais rico, até então, de todos os reis portugueses. Praticando, contudo, uma política contrária aos interesses do País, envolveu-se em guerras ruinosas com Castela, que acabaram por criar uma das piores crises da nossa história. A acrescer, escolheu para esposa D. Leonor Teles, uma mulher já casada – para a qual conseguiu anular o casamento – e que, sendo de grande beleza física era também de extrema ambição e sem grande formação moral. Deixando-se influenciar nefastamente pela rainha, passou a ser malquisto do povo, o que, pela narração do cronista, tudo viu ao sentir próxima a hora da morte, dizendo então “crer nos sacramentos de Deus, de quem havia recebido o Reino para o manter em direito e justiça, mas por seus pecados o havia feito de tal guisa que deles lhe iria dar mau conto”. Todavia, enter outras medidas de protecção e desenvolvimento do País, firmadas por este rei, a lei das Sesmarias, de 28 de Maio de 1375, reconhecendo o direito de expropriação da terra quando esta não fosse devidamente aproveitada, foi um diploma do maior alcance económico, social e político; e a carta de privilégios, de 6 de Junho de 1377, aos moradores e vizinhos de Lisboa, para a compra ou construção de mais de50 toneis, pelas isenções de serviços e de pagamentos que concedia, terá contribuindo grandemente para o aumento da nossa frota marítima e do nosso comércio. Faleceu D. Fernando em Lisboa a 22 de Outubro de 1383, sendo o seu corpo levado para a Igreja de S. Francisco, em Santarém.

D. BEATRIZ
PRETENDENTE
1383 – 1385


D. Beatriz, filha única de D. Fernando, nasceu em Coimbra em 1372. Prometida em casamento diversas vezes, acabou D. Fernando por propô-la para mulher do rei de Castela, João I, que tinha enviuvado, o que foi aceite. O contrato, assinado em Badajoz a 17 de Maio de 1383, estipulava, entre outras clausulas, que a coroa portuguesa pertencia, de direito aos reis de Castela se D. Fernando ou a filha falecessem s3em descendentes legítimos, assim como a coroa castelhana pertencia ao rei de Portugal se o rei de Castela ou a irmã morressem sem filhos legítimos. As disposições, parecendo iguais, não o eram, porque a sucessão de Castela estava já assegurada e em Portugal o rei estava doente e envelhecido e a filha, com 12 anos, poderia ou não Ter herdeiros. Falecido D. Fernando na noite de 22 de Outubro de 1383, em breve a regente Leonor Teles, a pedido do rei de Castela, determinou que se procedesse á aclamação da filha e do marido como reis de Portugal, pregões que grande parte da população não aceitou bem. João I invade Portugal e vem fixar arrajal em Santarém em 12 de Janeiro de 1384, e ali fica até 10 de Março. Nesta cidade terá sido, muito presumivelmente, batido por D. Beatriz o real de prata com o busto coroado da rainha entre as letras S e A e as armas esquarteladas de Castela e Leão e de Portugal. Do matrimónio desta princesa com o rei de Castela nasceu um filho, D. Miguel, falecido com pouco mais de um ano. Ficando viúva a 9 de Outubro de 1390, D. Beatriz faleceu em 1432, ou porventura em 1430, sendo sepultada no Convento de N. S. das Mercês, em Valhadolid.

INFANTE D. DINIS
PRETENDENTE
1383 – 1385


O infante D. Dinis, filho de D. Pedro I e de D. Inês de Castro, nasceu entre 1351 e 1353. A recusa em beijar a mão a Leonor Teles, em Leça do Bailio, quando do casamento desta com D. Fernando, causou o seu afastamento da corte. Depois da morte de D. Fernando, ficou sendo um dos possíveis sucessores da coroa portuguesa, mas o facto de se Ter juntado às tropas de Henrique II, quando este invadiu Portugal em 1373, e de se Ter colocado ao serviço de Castela, valeu-lhe, nas cortes de Coimbra, em 1385, violentamente atacado por João das Regras Casou com D. Joana, filha bastarda de Henrique II. Depois da morte de João de Castela, os exilados portugueses aclamaram-no rei de Portugal e D. Beatriz chegou a ceder-lhe os seus direitos ao trono português em 1398 invade Portugal pela Beira, com tropas castelhanas de Henrique III, mas retira-se pouco depois. Os torneses do rei D. Dinis, assim como alguns dinheiros do mesmo rei mais escassos pelo tipo de gravura fina com letra cuidada, têm sido, por vezes, dados a este infante D. Dinis, que os teria batido ao pretender o trono português. Tem-se afigurado menos convincente tal dedução, atendendo à época tardia em que essas emissões ocorreriam: quer o tornês quer o dinheiro tinham sido ultrapassados durante a primeira parte de reinado de D. Fernando, com as desvalorizações decorrentes tanto das guerras como principalmente da grave crise de metais preciosos que a Europa então atravessava. A gravura mais perfeita daquelas peças e o seu estilo mais cuidado, poderão atribuir-se um gravador com diferente arte e sensibilidade, porventura contratado aquando da introdução do tornês.

D. JOÃO
REGEDOR E DEFENSOR DO REINO
1383 – 1385


D. João filho ilegítimo de D. Pedro I e de Teresa Lourenço, nasceu em Lisboa a 11 de Abril de 1357 e, aos 7 anos de idade, foi-lhe dado o mestrado da Ordem de S. Bento de Aviz. Após as cerimónias fúnebres de D. Fernando, alguns nobres desaprovaram o valimento que o conde de Ourém, João Fernandes Andiro, tinha junto da rainha viúva, e concluíram que só o Mestre de Aviz o poderia matar, o que lhe foi proposto com um plano que o salvaguardava. Com a morte do Conde o povo de Lisboa foi levantado em massa, a pretexto de que a vida do Mestre corria perigo. A rainha Leonor Teles fugiu para Alenquer e os amotinados decidiram eleger o Mestre de Aviz Regedor e Defensor do Reino. Entretanto, o rei de Castela, João I, casado com D. Beatriz, filha única de D. Fernando, invadiu Portugal e veio estabelecer arraial em Santarém, em 12 de Janeiro de 1384. Depois obteve de Leonor Teles a desistência dos seus direitos á regência de Portugal, acabando por mandar encerrá-la num mosteiro. Em 10 de Março abandonou Santarém para atacar Lisboa, mas a vitória de Nuno Alvares Pereira nos Atoleiros e a peste declarada nas tropas castelhanas que cercavam a capital jogaram a favor de Portugal, e João I decide regressar ao seu país. Nas cortes reunidas em Coimbra desde Março de 1385, o principal assunto era o provimento do trono, estando os pareceres divididos entre os reis de Castela, os filhos de D. Pedro I e de Inês de Castro e o Mestre de Aviz. Foi o jurisconsulto João das Regras que, dissertando sobre as condições e o comportamento de todos os presumíveis herdeiros legais, mostrou a incapacidade deles e estar o trono vago. Foi então proposto á assembleia para rei, o Mestre de Aviz, que ali foi aclamado a 6 de Abril de1385.

D.JOÃO I
O DE BOA MEMÓRIA
1385 – 1433


O fundador da Dinastia de Aviz ou Joanina, D. João I, iniciou o seu governo como rei, com a grande victória de Aljubarrota sobre as desproporcionadas forças castelhanas, a 14 de Agosto de 1385. Contudo as hostilidades continuaram com Henrique III e o próprio infante D. Dinis, filho do nosso rei D. Pedro I, invade Portugal ao serviço de Castela. É já no reinado de D. João II que é assinada a paz, a 31 de Outubro de 1411. Data de 1386 o tratado de amizade e confederação entre Portugal e a Inglaterra, conhecido como Tratado de Windsor. Desta aliança resultou também o casamento de D. João I com D. Filipa, filha de João de Gant, duque de Lencastre, filho de Eduardo III de Inglaterra, ocorrido no Porto a 2 de Fevereiro de 1387. Os filhos nascidos desta união, pela sua educação e obras, foram designados por Camões de “Ínclita Geração”. Em 1415 teve lugar a conquista da praça marroquina de Ceuta e depois, sob a égide do Infante D. Henrique, chamado o navegador, deu-se início ao grande ciclo das Descobertas dos Portugueses. D. João I foi um rei generoso, bravo e leal, que manteve sempre grande popularidade. O se reinado esteve sujeito a enorme inflação, bem patente nas suas moedas, ainda hoje de difícil seriação, e nas leis publicadas para lhe atenuarem os seus efeitos. Faleceu em Lisboa a 14 de Agosto de 1433 e jaz no Mosteiro da Batalha, magnífico monumento, e de estilo característico, que mandou construir para memória do grande feito de Aljubarrota.

D. DUARTE I
O ELOQUENTE
1433 – 1438


Décimo primeiro rei de Portugal e o segundo da dinastia fundada por seu pai, D. Duarte nasceu em Viseu a 31 de Outubro de 1391 e foi aclamado em 14 de Agosto de 1433. Possuía as virtudes de um grande rei e foi o soberano mais ilustrado do seu tempo. Escreveu o Leal Conselheiro, A Arte de Bem Cavalgar Toda a Sela, além de outras obras que primam pelo estilo elegante em relação à época em que foram escritas. Deu continuação às descobertas mas o seu curto reinado tornou-se notável por tristes acontecimentos. A fome, a peste e o grande desastre de Tânger provocaram a perda de grande número de vidas. Das decisões das Cortes de Leiria, onde se opuseram à troca do infante D. Fernando, cativo e refém em Fez, pela praça africana de Ceuta, nunca D. Duarte se resignou, sofrendo grande desgosto, até ser vitima da terrível peste, de que faleceu em Tomar, a 9 de Setembro de 1438. Os seus restos mortais repousam no Mosteiro da Batalha.

D. AFONSO V
O AFRICANO
1438 – 1481


D. Afonso V nasceu em Sintra a 15 de Janeiro de 1432. Aclamado rei em Tomar a 10 de Setembro de 1438, casou em 1447 com sua prima, filha do infante D. Pedro. Enquanto menor, governaram o reino a rainha D. Leonor e D. Pedro, até que as Cortes de Lisboa retiraram a tutela de sua mãe, deixando-a exclusivamente ao tio.. Esta nova regência originou despeitos e intrigas que levaram D. Afonso V a acusar o sogro. Quando este vinha à corte justificar-se, travou-se luta no sítio de Alfarrobeira, de que resultou a morte de D. Pedro, fazendo-se crer ao moço rei de 17 anos, que fora vencedor de uma grande batalha campal. Fez várias expedições vitoriosas a África, nas quais se mostrou mais corajoso do que prudente. Procurou juntar as coroas de Portugal e de Castela e nesse intuito casou com sua sobrinha D. Joana, filha e herdeira de Henrique IV. Ao ser esta preterida pelos castelhanos como sua rainha, D. Afonso V invadiu Castela, mas foi derrotado na batalha de Toro. Ferido no deu orgulho e desgostoso pelo resultado desta guerra, que lhe ofuscava parte das glórias de África, faleceu em Sintra a 28 de Agosto de 1481, e jaz no Mosteiro da Batalha. Muito generoso era dado às Artes e às Letras. Amador de música também escrevia bem. Reformou a Universidade e fundou nos Paços da Alcáçova uma livraria real, aberta ao público. Sob os auspícios de D. Afonso V, Portugal tem a glória de ser o segundo país a introduzir a nobre arte impressória, livros que, breve, as caravelas espalhavam pelo mundo. Durante este reinado é abandonada a cunhagem de moedas de bolhão, passando, tanto as emissões em prata como em ouro, a apresentar um toque muito elevado.

D. JOÃO II
O PRÍNCIPE PERFEITO
1481 – 1495


D. João II, décimo terceiro rei de Portugal, nasceu a 3 de Maio de 1455, em Lisboa, e casou em Setúbal a 22 de Janeiro de 1471, com D. Leonor, filha de D. Fernando, duque de Viseu. Por duas vezes foi aclamado rei: a 10 de Novembro de 1477, quando da abdicação de D, Afonso V, acto que ficou nulo quando das volta deste ao reino; por morte de seu pai, voltou a ser aclamado a 31 de Agosto de 1481. Logo que empunhou o ceptro, D. João II afirmou o seu desígnio de engrandecer o poder real e de abater a nobreza, que se tornara poderosa e arrogante. Os fidalgos moveram-lhe enérgica oposição mas, descoberto o plano e castigados os responsáveis, nova trama foi urdida, tendo os conspiradores decidido o assassinato do rei. Sasbedor do que se passava, chamou o cunhado, D. Jaime, duque de Viseu, lanchou-lhe um rosto e traição e apunhalou-o no palácio, em Setúbal, a 22 de Agosto de 1483. A partir de então ninguém mais ousou opor-se-lhe e D. João II governou tão bem que ficou conhecido como o Príncipe Perfeito. Continuou a obra do infante D. Henrique e deu novo e poderoso impulso às descobertas. Os judeus expulsos de Espanha, pelo fanatismo religioso de Fernando e Isabel, foram habitualmente recebidos em Portugal, com as suas indústrias e riquezas. Nada escapava ao olhar de D. João II, que tinha as virtudes de um grande rei, justo, perspicaz e tolerante. A morte prematura do seu único filho, D. Afonso, abateu a grande força do monarca. Faleceu em Alvor a 25 de Outubro de 1495, havendo suspeitas de ter sido envenenado. O seu corpo encontra-se no Mosteiro da Batalha.

D.MANUEL I
O VENTUROSO
1495 – 1521


D. Manuel I, filho de D. Fernando e neto de D. Duarte, nasceu na vila de Alcochete a 31 de Maio de 1469. Subiu ao trono a 25 de Outubro de 1495, pelo falecimento, sem sucessor directo, de seu primo que o havia elevado em honras e designado para herdeiro do trono. Em 1498 casou em Toledo com D. Isabel, filha dos Reis Católicos, com a promessa da sucessão da coroa de Castela desde que expulsasse os mouros e judeus que não quisessem receber o baptismo. Em 24 de Agosto de 1498 enviuvou, tendo contraído novo casamento, em 30 de Outubro de 1500, com D. Maria, irmã de sua primeira mulher. D. Manuel tornou-se um rei poderoso e tantos foram no seu tempo os acontecimentos felizes e gloriosos para Portugal, que ficou sendo chamado o Felicíssimo ou o Venturoso. Em 1514 deslumbra a Europa com a oferta ao Papa de um grande presente e de imensas riquezas. A 7 de Março de 1517 morreu a rainha D. Maria e a 24 de Março do ano seguinte recebeu D. Manuel, em terceiro matrimónio, D. Leonor, filha de Filipe I de Castela. Toda a prosperidade deste reinado em nada beneficiou o povo, que continuou pobre e onerado de tributos, tendo-se seguido rápida decadência. D. Manuel faleceu a 13 de Novembro de 1521 nos paços da ribeira, vítima de uma epidemia de febre que então grassava em Lisboa. O seu corpo jaz na capela-mor da Igreja de Belém.

D. JOÃO III
O PIEDOSO
1521 – 1557


Nasceu em Lisboa, a 6 de Junho de 1502, o primogénito de D. Manuel, que, por morte de seu pai, subiu ao trono em 13 de Dezembro de 1521. Casou com D. Catarina, filha de Filipe I de Espanha, em 5 de Fevereiro de 1525. No intuito de obstar à propagação do protestantismo, estabeleceu em Portugal, em 1531, a Inquisição. Este tribunal, instituído em nome de santa doutrina do Crucificado, acabou por perseguir tanto o judeu como aquele cujo espírito não seguisse o rígido ditame da Igreja, pelo que acirrou o ódio religioso, perturbou a paz social e levou à emigração de milhares de inconformados, que procurarão melhores condições nos Países Baixos, em França e na Itália. D. João III, apoiando sempre o predomínio religioso, sem conselheiros à altura do império que se havia formado, com uma máquina estatal inadaptada, sem um diálogo com os súbditos, com um mau aproveitamento das receitas do monopólio do oriente e com o reino castigado por várias epidemias, contribuiu muito para a longa decadência que se estabeleceu e que não mais foi possível suster. Todavia, no campo da cultura e das artes, o seu reinado foi positivo, ao serem criadas condições para o seu florescimento. A abertura da Universidade em Coimbra, em 1537, onde se passou a ensinar a Teologia, o Direito Civil e Canónico, A Medicina e as Artes, foi uma medida importante, e lançam-se os fundamentos para a abertura de outra universidade em Évora, o que sucederia em 1559, já no reinado seguinte. André de Resende, Damião de Góis, Jerónimo Osório, António de Gouveia e tantos outros, elevam bem alto o sentimento português e mostram uma grande cultura lusíada. D João III faleceu em Lisboa a 11 de Junho de 15557 e o seu corpo repousa na Igreja dos Jerónimos, em Belém.

D. SEBASTIÃO I
O DESEJADO
1557 – 1578


D. Sebastião, filho do príncipe D. João e de D. Joana, filha do imperador Carlos V, nasceu a 20 de Janeiro de 1554, algumas semanas depois da morte de seu pai. Herdou a coroa, por morte de seu avô, D. João III, em 11 de Junho de 1557, com apenas três anos de idade, sendo regente, durante a menoridade, a rainha D. Catarina. O cardeal D. Henrique, ambicioso do poder e no elevado cargo de inquisidor geral, não poupou enredos e resistências à cunhada que, que para o contentar, o nomeou adjunto do governo até às cortes reunidas nos Paços da Ribeira, onde lhe fez entrega da regência e da tutoria do rei. A esse tempo D. Aleixo de Menezes educava com branduras o jovem rei, a quem o seu perceptor, o jesuíta Luís Gonçalves da Câmara, dominava incutindo-lhe, com devoção ascética, um orgulhoso entusiasmo pelas conquistas de África e da Ásia. D. Sebastião tomou conta do governo em 20 de Janeira de 1568 e entregou-se logo à realização dos seus sonhos: a conquista do Norte de África. Surdo aos prudentes conselhos de quem tentou dissuadi-lo, o jovem rei pagou com a vida os seus erros, tendo morrido na batalha de Alcácer-Kibir, em 4 de Agosto de 1578. A sua morte deu lugar a várias lendas e á crença no Sebastianismo. Os restos mortais que se supõem de D. Sebastião, encontram-se na Igreja de Belém. Data de 1575 o uso, por escrito, do plural irregular réis, em vez de reais.

HENRIQUE I
O CASTRO
1578 – 1580


Filho de D. Manuel I e da Rainha D. Maria, D. Henrique nasceu em Lisboa em 31 de Janeiro de 1512. Destinado à vida eclesiástica, estabeleceu em Portugal o Tribunal da Santa Inquisição em 1539 de que foi feito inquisidor-geral. Por várias vezes regente do reino, recebeu a notícia do desastre do norte de África na sua abadia de Alcobaça, partindo logo para Lisboa afim de formar uma junta governativa, até oficialmente se confirmar a morte do sobrinho, sendo aclamado rei a 28 de Agosto de 1578. Velho e supersticioso, pouco esclarecido, sem amor pelas artes, tão devoto e austero que chegava a fanático, apenas se tornou notável na ambição estéril e dúbia altivez. O seu curto reinado foi um período atroz para o país, dizimado por fome e epidemias, agitado pelas intrigas dos pretendentes à sucessão do velho monarca. Para se designar o herdeiro da Coroa, foram realizadas em 11 de Janeiro de 1580 as cortes de Almeirim onde D. Henrique usou de toda a influência para que a escolha recaísse em Filipe II de Espanha, não logrando porém o seu intento, pois o voto não foi aceite, como se esperava, desenvolvendo-se grande oposição popular. No dia 30 de Janeiro de 1580, entregou D. Henrique o espírito a Deus e o reino aos governadores, entretanto nomeados, tendo o seu corpo sido trasladado de Almeirim para a Igreja de Belém, onde se encontra.

GOVERNADORES DO REINO
1580


Os cinco governadores, eleitos nas cortes de Lisboa de 1579 foram confirmados no testamento de D. Henrique e assumiram o poder em 31 de Janeiro de 1580. Eram eles D. Jorge de Almeida arcebispo de Lisboa; D. Francisco de Sá e Meneses, camareiro-mor do falecido monarca; D. João de Mascarenhas, o defensor de Diu; João Teles de Meneses, senhor de Aveiras e Diogo Lopes de Sousa, senhor de Miranda. O arcebispo, hábil cortesão, conservava-se numa política expectante e D. João Teles de Meneses, de conhecida probidade mas inexperiente e de acanhada inteligência, prestava-se, sem o saber, aos planos dos colegas. Os restantes três governadores eram reconhecidos parciais de Castela. Em tais homens não podia o povo confiar e, descontente, engrossava o partido de D. António, que pelo arrojo e actividade era, dos pretendentes, o único decidido a sacrificar-se pela independência portuguesa. Ao rebentar em Setúbal a revolução a favor do Prior do Crato, escaparam-se milagrosamente os governadores para bordo de uma embarcação, que os levou para Aiamonte. Lograram depois tomar aposentadoria em Castro Marim, de onde fulminaram sentença condenatória contra D. António e declararam, a 17 de Julho de 1580, Filipe II de Espanha rei hereditário de Portugal.

D. ANTÓNIO I
O PRIOR DE CATRO
1580 – 1583


D. António, filho do infante D. Luís e de Violante Gomes, era neto de D. Manuel I e nasceu em Lisboa em 1531. A sua vida aventureira foi tão cheia de factos extraordinários que chamou a atenção da Europa. Designado Prior do Crato, saíu do reino por desavenças com seu tio, o Cardeal D. Henrique. Voltou a Portugal e partiu para Tânger como governador nomeado por D. Sebastião, de que foi, passado pouco tempo, demitido. Na batalha de Alcácer-Kibir ficou cativo mas logrou escapar sem ser conhecido, mediante resgate pago por um judeu seu amigo. De regresso à pátria, a sua afirmação de direitos na sucessão do trono motivou novas desinteligências com o Cardeal, que o desterrou da corte. Inquietando os agentes de Madrid, D. António acusava publicamente os governadores do reino de estarem ligados ao monarca espanhol. Filipe II tinha as suas tropas em Badajoz prontas para invadir Portugal e a 18 de Junho a praça de Elvas informou que se lhe entregava, o que causou grande impressão. No dia seguinte, em Setúbal, o povo aclama rei D. António, assim como em Santarém e Lisboa. No dia 28 as tropas espanholas atravessaram o Caia e entraram em Portugal. D. António teve contra ele a força das armas, do ouro e as traições, e, após alguns anos de luta, ostentando sempre uma constância altiva e sofrendo com resignação e coragem as maiores privações, morreu em Rueil, perto de Paris, a 26 de Agosto de 1595, com 64 anos de idade. Bateu moeda em Portugal – a qual o rei de Espanha mandou destruir em Fevereiro de 1581 – e também em Angra, nos Açores, onde foram contramarcadas, juntamente com outras dos reis anteriores, com a figura de um açor.

D. FILIPE I
O PRUDENTE
1580 – 1598


Filho de Carlos I e de Isabel de Portugal, Filipe I nasceu em Valladolid a 21 de Março de 1527. Alcunhado de “ O Demónio do Meio Dia “, é acusado pela História de crimes enormes, contando depois cegamente com a Igreja para uma absolvição plena. Fanático, hipócrita e orgulhoso das grandezas reais, que fazia acatar ao excesso, julgava-se vaidosamente predestinado por Deus para engrandecer o catolicismo sobre as cinzas da heresia. Foi este rei, de carácter sombrio e vingativo, que, empregando a intriga e a corrupção, se impôs a Portugal como legítimo sucessor da coroa, em 17 de Julho de 1580. O seu orgulho foi seriamente abatido quando pretendia conquistar a Inglaterra com a poderosa Armada Invencível, a qual, saída do Tejo a 27 de Maio de 1588, foi destroçada por um temporal, tendo o almirante Drake metido a pique o que dela restava. Foi o começo da decadência do império espanhol na Europa. Tendo casado quatro vezes, Filipe I morreu a 13 de Setembro de 1598 no Escorial, onde jaz.

D. FILIPE II
O PIO
1598 – 1621


Filipe II nasceu em Madrid a 14 de Abril de 1578 e subiu ao trono em 13 de Setembro de 1598. Casou em 8 de Abril de 1599 com D. Margarida de Áustria. Apático e de saúde débil, era indolente e de acanhada inteligência para sustentar com a precisa energia o grande império que seu pai lhe deixou. Durante o seu reinado a situação de Portugal agravou-se muito. As possessões portuguesas, atacadas por holandeses e ingleses, e entregues unicamente aos seus escassos recursos, perderam toda a importância comercial. O governo esteve entregue a favoritos ambiciosos que deligenciaram apagar em Portugal os restos da sua autonomia e reduzir o País a uma província de Espanha. Filipe II visitou Portugal de 10 de Maio a 24 de Outubro de 1619, tendo o depauperado povo pago todas as despesa da viagem com uma derrama de mais de 500 mil cruzados, sem que desta visita lhe tivessem vindo quaisquer benefícios. Chegou a haver o projecto de estabelecer a capital de Espanha em Lisboa, a que chamariam “ Felicitas Philippi “. A morte de Filipe II, acontecida a 31 de Março de 1621, impediu tal concretização.

D. FILIPE III
O GRANDE
1621 – 1640


Filho do anterior, Filipe III de Portugal e IV de Espanha nasceu em Valladolid em 8 de Abril de 1605 e subiu ao trono a 31 de Março de 1621. De fraca capacidade, deixou o governo entregue ao seu valido, conde duque de Olivares, que continuou a agravar o País com novos impostos. Em fins de 1634 foi nomeada vice-rainha de Portugal a duquesa de Mântua e Miguel de Vasconcelos passava a secretário do Estado, em Lisboa. Este português de maus instintos depressa se tornou odiado pelos seus compatriotas. A miséria do povo e o seu descontentamento chegaram ao extremo e começaram a dar-se tumultos, um dos quais, o de Évora, em 1637, foi quase uma revolução. Desde fins de 1639 alguns nobres portugueses projectavam uma sublevação, para o que tentavam aliciar o duque de Bragança, que nada dizia. O momento era propício por a Espanha estar cheia de dificuldades: a sua esquadra fora derrotada no Canal de Inglaterra pela dos holandeses, na Flandres e na Itália os seus generais foram obrigados a render-se aos inimigos; na Catalunha vivia-se em revolta desde Junho de 1640. Os ânimos estavam excitados, por serem os portugueses que receberam ordens para ir combater os catalães sublevados, numa política de enfraquecimento do País. Em Outubro de 1640 os conjurados tentam, de novo, demover o duque de Bragança, o que por fim conseguem. Faltava ultimar os pormenores. Em reunião a 25 de Novembro é marcado o dia 1 de Dezembro, pelas nove horas, para a sublevação, sendo também reconhecida a necessidade de matar Miguel de Vasconcelos. A revolução triunfava na capital, e ao cair da tarde diversos emissários corriam a comunicar a boa nova ao Duque, que se encontrava em Vila Viçosa, assim como às principais localidades do País. O jugo espanhol, que durante 60 anos nos sufocara, fora finalmente deitado fora.

D. JOÃO IV
O RESTAURADOR
1640 – 1656


D. João IV nasceu em Vila Viçosa a 18 de Março de 1604, filho do duque de Bragança D. Teodósio e D. Ana de Velasco. Foi Duque de Barcelos e sucedeu a seu pai na Casa e Ducado de Bragança, a 29 de Novembro de 1630. Casou em Elvas com grande pompa, a 12 de Janeiro de 1633, com D. Luísa de Gusmão, filha do duque de Medina Sidónia. Escolhido para ocupar o trono português, foi aclamado pelo clero, nobreza e povo, a 1 de Dezembro de 1640, na cidade de Lisboa, onde entrou muito vitoriado 6 dias depois, sendo coroado a 15 do mesmo mês. Os socorros vindos de França, Inglaterra e Suécia não fizeram prever a esperança aos partidários de Castela mas fortaleceram-se os restauradores a 26 de Maio de 1644 teve lugar a primeira das grandes vitórias da restauração, com a batalha do Montijo. D. João IV era inteligente, pouco amigo de galas, muito reservado, prudente e justo. Amava caçar e cultivou a música com grande distinção, deixando várias produções de mérito. Faleceu a 6 de Novembro de 1656 e o seu corpo está no Panteão da Igreja de S. Vicente de Fora.

D. AFONSO VI
O VITORIOSO
1656 – 1667


D. Afonso VI nasceu em Lisboa a 21 de Agosto de 1643 e subiu ao trono por morte do pai em 1656. Enquanto menor foram os negócios do estado por sua mãe e, durante a regência os espanhóis foram vencidos na batalha de Linhas de Elvas, sendo os efeitos morais desta vitória importantes para o País. A 23 de Junho de 1662 D. Afonso VI tomou conta do governo e nomeou seu primeiro ministro o conde de Castelo Melhor que, em pouco mais de 7 anos orientou a guerra, contribuiu para o triunfo e melhorou as finanças públicas. As vitórias do Ameixial, Castelo Rodrigo e Montes Claros levaram a Espanha a assinar a paz e a desistir das pretensões sobre Portugal. D. Afonso VI casou com D. Maria Francisca Isabel de Sabóia que, de imediato, favoreceu o partido do cunhado contra o esposo, protestando também contra o seu casamento, declarando-o não consumado. O infante D. Pedro, apoiado por grande número de nobres, levou o irmão a dar-se como incapaz e a passar-lhe o governo. Após o auto de desistência “23 de Novembro de 1667” o rei ficou de facto, privado da coroa e da liberdade. Confinado primeiro aos aposentos do Passo foi, em 1669, mandado para a Ilha Terceira, nos Açores, de onde voltou em 1674 para passar os últimos 9 anos de vida encarcerado no palácio real de Sintra. Ali morreu, a 12 de Setembro de 1683. Jaz na Igreja de S. Vicente de Fora.

D. PEDRO
PRÍNCIPE REGENTE
1667 – 1683


Terceiro filho varão de D. João IV e da rainha D. Luísa de Gusmão, nasceu em Lisboa em 1648. Após o casamento de seu irmão D. Afonso VI com D. Maria Francisca Isabel de Sabóia (1666 ), estabeleceu-se entre esta, o seu cunhado e um conjunto de nobres, um entendimento que levou o rei a aceitar a sua incapacidade e a desistir do trono a favor do irmão. Anulado o casamento, D. Pedro reteve preso seu irmão, assumiu a regência do reino e casou com a rainha sua cunhada. Tendo sido descobertos planos do governo espanhol para repor no trono de Portugal D. Afonso VI, foi este transferido do castelo de Angra para os Paços de Sintra, onde veio a falecer. A partir de 1677 estabeleceu-se no País a cunhagem mecânica da moeda, por meio de um engenho (balancé) que conferia grande regularidade à posição dos cunhos e à pancada, ao mesmo tempo que a introdução da “sarrilha” vinha impedir o cerceio, fraude muito comum nas moedas deste tempo. O melhoramento, já em uso noutros países, deveu-se a D. Luís de Meneses, terceiro conde da Ericeira e vedor da Fazenda.

D. PEDRO II
O PACÍFICO
1683 – 1706


D. Pedro II foi aclamado rei em 12 de Setembro de 1683, por morte de seu irmão D. Afonso VI. A 27 de Dezembro do mesmo ano faleceu a rainha D. Maria Francisca e, não havendo descendência masculina, Foi D. Pedro instado para casar Segunda vez, o que aconteceu em 1686, com D. Maria Sofia Isabel de Neuburg, filha do Eleitor Palatino. Por instigações da Inglaterra, Portugal associou-se à chamada Grande Aliança, afim de defender a alegada preferência de direitos à coroa de Espanha pelo arquiduque Carlos, filho de Leopoldo I da Alemanha, Também apoiado pela Holanda, Inglaterra e Sabóia. Depois de várias vitórias iniciais, as forças espanholas e francesas recuperaram e obrigaram os aliados a retirar-se para Portugal, onde entraram com perdas consideráveis. D. Pedro II era dotado de grande força física, jogava as armas com mestria e era notável a sua perícia como cavaleiro e na tauromaquia. Tinha grande afeição `s mulheres. Apesar do muito que se escreveu nunca se conseguiu atenuar a imoralidade do modo como procedeu para com o seu irmão e rei, D. Afonso VI. Faleceu a 9 de Dezembro de 1706 e está no jazigo da Casa de Bragança, na Igreja de São Vicente de Fora.

D. JOÃO V
O MAGNÂNIMO
1706 – 1750


Vigésimo quarto rei de Portugal, D. João V era filho de D. Pedro II e de sua Segunda mulher, D. Maria Sofia. Nasceu em Lisboa em 1689 e reinou de 1706 a 1750. Exerceu o governo absoluto e nunca reuniu cortes. Durante o seu reinado entraram em Portugal, provenientes das minas de ouro e diamantes do Brasil, incalculáveis riquezas, porém nunca as aplicou no desenvolvimento do País, tendo esbanjado milhões de cruzados em doações a igrejas e mosteiros e em prodigalidades insensatas. O luxo da sua corte era assombroso e as quantias enviadas para Roma para pagamento de canonizações e indulgências ultrapassaram os duzentos milhões de cruzados, mas o povo teve que pagar a construção do Aqueduto das Águas Livres com o produto de um novo imposto. A fundação da Academia Real da História, do Arsenal da Marinha, da nova Casa da Moeda e de algumas poucas fábricas não foi bastante para reabilitar este reinado, um dos piores da História portuguesa. D. João V morreu paralítico no dia 31 de Julho de 1750 e, como os seus antecessores foi para o Panteão da Casa de Bragança, em S. Vicente de Fóra.

D.JOSÉ I
O REFORMADOR
1750 – 1777


Nasceu em Lisboa o vigésimo quinto rei de Portugal, no dia 6 de Junho de 1714. Casou com D. Mariana Vitória, infanta de Espanha, em 1728 e subiu ao trono em 31 de Julho de 1750. Dois dias depois nomeou para ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, depois conde de Oeiras e marquês de Pombal. O terrível terramoto que destruiu Lisboa em 1755, deu ensejo a que este estadista revelasse as suas grandes faculdades. A partir de então, D. José entregou-lhe completamente a direcção dos negócios públicos, do que resultou o despertar do País do seu torpor de dois séculos, restituindo-lhe alento e vida pelas reformas introduzidas no reino. O marquês de Pombal foi um grande estadista, reformador inteligente e enérgico, todavia despótico. A época não se prestava a governar com branduras e as reformas em todas as nações são quase sempre feitas com grande severidade. Sem muitas qualidades, D, José soube, no entanto, compreender o valor do homem que o destino pusera a seu lado e teve o bom senso de lhe conservar intacta a sua confiança até ao derradeiro momento da sua vida. À sega confiança que depositou em Sebastião José, deve o seu reinado Ter sido um dos mais notáveis da nossa História. Morreu em 24 de Fevereiro de 1777, vitimado por uma apoplexia e jaz no Mosteiro de S. Vicente de Fóra.

D. MARIA I
E D. PEDRO III
1777 – 1786


D. Maria I nasceu em Lisboa a 17 de Dezembro de 1734. Casou com o infante D. Pedro, seu tio, em 6 de Junho de 1760 e subiu ao trono em 24 de Fevereiro de 1777. Desde logo intitulou de rei seu esposo, exonerou Sebastião José de Carvalho e Melo de todos os cargos políticos, e desterrou para a vila de Pombal. Quatro dias após abriram-se as prisões e mandaram-se regressar ao reino dos desterrados, estando compreendidas neste indulto cerca de oitocentas pessoas. A exemplo do que fizera o seu avô para Ter sucessão, fez voto em edificar um templo, o que cumpriu, tendo as obras começado em 1779 e ficado concluídas em 1790. O sumptuoso monumento, mais conhecido por Basílica da Estrela, custou 16 milhões de cruzados e foi denominado do Santíssimo Coração de Jesus, tendo sido batidas diversas medalhas, alusivas ao facto. D. Pedro III, incapaz de aconselhar a espoas na resolução dos negócios do estado dedicava todos os actos da sua vida á religião, tendo morrido de apoplexia em 25 de Maio de 1786.

D. MARIA I
A PIEDOSA
1786 – 1799


D. Maria foi uma senhora de grandes qualidades e bastante instrução mas, muito entregue ao misticismo, eivou-se de escrúpulos religiosos, tornando-se indecisa e tímida na resolução de importantes negócios do seu governo. Todavia, no seu reinado, continuou-se o fomento do comércio e da indústria, na sequência do reinado anterior, mas com nova orientação; fizeram-se progressos na instrução, nas artes e nas ciências; reformaram-se as normas dos processos judiciais; criou-se uma orgânica policial e de assistência, em que se tornou notável Pina Manique; reconstituiu-se a Ordem Militar de Cristo. À morte do marido, em 1786, e a do príncipe herdeiro, D. José, em 1788, com 27 anos, e que fora uma grande esperança para o desenvolvimento do País, pela sua inteligência e ideias avançadas, agravaram profundamente o sistema nervoso de D. Maria I. Foi ainda corrente a opinião de que as notícias vindas da França, da tomada da Bastilha, a fuga dos reis e a revolução republicana, tinham afectado seriamente o estado psíquico da rainha. Nos finais de 1792 estava já em estado de idiotia e, entretanto, tinha tomado conta do governo, desde 10 de Fevereiro, o Príncipe do Brasil, D. João, futuro rei. D. Maria I vem a morrer em 20 de Março de 1816. Jaz em túmulo na Basílica da Estrela.

D. JOÃO
PRÍNCIPE REGENTE
1799 – 1816


D. João nasceu em Queluz a 13 de Maio de 1767, filho de D. Maria I e de D. Pedro III. Por doença da rainha mãe, o príncipe D. João chamou a si o encargo do governo, desde 10 de Fevereiro de 1792, assumindo-o definitivamente, como Príncipe Regente, a partir de 15 de Julho de 1799, até à morte de sua mãe. A Guerra do Rossilhão (1793), a guerra com a Espanha e o desastroso tratado de paz de Badajoz, que lhe pôs termo (1801), marcam os primeiros tempos de regência. Em 1807 Napoleão assina com a Espanha um tratado que suprimia o reino de Portugal da carta política da Europa e dividia o território português em três estados, um dos quais pertenceria ao rei da Etrúria, o segundo ao Príncipe da paz, reservando a França o terceiro para si. Nesse ano, um exército comandado por Junot invadiu Portugal. Na véspera da sua entrada em Lisboa, em 29 de Novembro, a família real, a corte e muitos outros fidalgos embarcaram para o Brasil. Enquanto o povo português lutava para expulsar do seu solo o invasor, o príncipe ocupava-se em administrar e desenvolver aquela colónia, que lhe ficou a dever grandes progressos e melhoramentos, e onde a sua memória e objecto de muito natural e legítima gratidão.

D. JOÃO VI
O CLEMENTE
1816 – 1826


Após a morte de sua mãe, a 20 de Março de 1816, D. João tomou o título de rei, embora só fosse coroado a 6 de Fevereiro de 1818. A administração do Reino estava a cargo de uma regência, que Beresford dominava completamente. A Revolução de 1820 substituiu a regência por uma Junta Provisória e convocou as Cortes. Estas redigiram uma Constituição, que D. João VI declarou aprovar e querer também aplicar ao Brasil, já então elevado a reino. Partiu em seguida para Portugal (26 de Abril de 1824), deixando por lugar-tenente no Brasil seu filho primogénito D. Pedro. Chegado a Lisboa a 3 de Julho de, juntou a Constituição – demasiado progressista e democrática -, o que sua mulher D. Carlota Joaquina se recusou a fazer, sendo por isso exilada para a Quinta do Ramalhão. Daqui, com seu filho o infante D. Miguel, promoveu em 1823 uma contra- revolução (Vilafrancada), que restabeleceu o absolutismo e o rei aceitou. A esse tempo D Pedro havia já proclamado a independência do Brasil e aceite o título de Imperador. Em 30 de Agosto de 1824 eclodiu nova revolta miguelista, conhecida por Abrilada, a qual obrigou D. João VI a recolher-se a bordo de uma nau inglesa e acabou por levar D. Miguel ao exílio. Este acto de ingratidão e de revolta do seu filho e o problema da independência do Brasil, afectaram a saúde do monarca. Adoeceu gravemente em 4 de Março de 1826 e faleceu no dia 10. Deixou o reino confiado a um conselho de regência presidido pela sua filha, infanta D. Isabel Maria.

D.PEDRO IV
O REI SOLDADO
1826 – 1828


D. Pedro IV foi o vigésimo oitavo rei de Portugal e primeiro imperador do Brasil. Filho de D. João VI e da rainha D. Carlota Joaquina, nasceu em Lisboa em 1798. Em 1807, acompanhou a família Real ao Brasil e aí casou em 1816 com D. Maria Leopoldina, arquiduquesa de Áustria. Quando do regresso de D. João VI a Portugal, ficou D. Pedro regente do Brasil, já então elevado a reino, onde após várias agitações revolucionárias e cedendo aos votos da nação brasileira, proclamou a independência do estado brasileiro em 7 de Setembro de 1822. Tendo abdicado a coroa de Portugal a favor de sua filha, foi esta esbulhada do trono por D. Miguel. D. Pedro abdicou o império do Brasil a favor de seu filho D. Pedro de Alcântara, então com cinco anos e embarcou para a Europa, afim de reconquistar para sua filha, o trono português. A 8 de Julho de 1832, desembarca no Mindelo, e no dia seguinte entra no Porto, onde sustentou durante mais de um ano, apertado cerco, repelindo vitoriosamente todos os ataques das forças miguelistas. O duque da Terceira tomara entretanto Lisboa, tendo partido D. Pedro para a capital, onde foi acolhido com enorme entusiasmo. A Convenção de Évora Monte selou a vitória da causa liberal, mas D. Pedro poucos meses sobreviveu ao seu triunfo, sendo a sua morte a 24 de Setembro de 1834, pranteada pelo povo a quem dera a liberdade.

D. MIGUEL I
O ABSOLUTO
1828 – 1834


D. Miguel, sétimo filho e terceiro varão de D. João VI e da rainha D. Carlota Joaquina, nasceu em Queluz a 26 de Outubro de 1802. Foi com a família real para o Brasil, de onde regressou em 1821 com seu pai. Promoveu com a mãe a revolta conhecida por Vilafrancada e, a seguir, a Abrilada, sendo então exilado para Viena de Áustria. Em 1826 jurou a Carta Constitucional, reconheceu seu irmão D. Pedro como sucessor legítimo de seu pai e aceitou contrair matrimónio com sua sobrinha D. Maria. Assim, foi nomeado lugar-tenente do Reino e em 1828 assumiu a regência, jurando novamente fidelidade à rainha e à Carta. Semanas depois fez-se aclamar rei absoluto e iniciou um período de perseguição aos liberais.
Seguiu-se a luta civil de 1832 – 1834, que terminou com a convenção de Évora Monte. D. Miguel partiu para exílio definitivo, não podendo regressar ou pisar lugar algum da Península ou dos domínios portugueses. Os chefes absolutistas, na maior parte imprevidentes e maus, apoiados por sequazes ignorantes e fanatizados, além de perderem a sua própria causa, tornaram malquisto um príncipe cuja educação, quase exclusivamente entregue a picadores e toureiros, o inabilitava de governar o reino, ou mesmo de escolher homens competentes que o fizessem em seu nome. Casou na Alemanha com a princesa D. Maria Teresa de Loewenstein-Wert- heim e faleceu em Brombach em 1866.

D. MARIA II
A EDUCADORA
1834 – 1853


D. Maria II nasceu no Rio de Janeiro em 4 de Abril de 1819, tendo sido Princesa da Beira e do Grão-Pará. Por abdicação de seu pai, D. Pedro IV, sobe ao trono em 2 de Maio de 1826, mas só assume o governo do reino em 20 de Setembro de 1834. A 1 de Dezembro do mesmo ano casa com o príncipe Augusto de Leuchtemberg, que morre em 28 de Março seguinte. A 9 de Abril de 1836 casa, outra vez, com D. Fernando Augusto, filho do duque de Saxe-Coburgo- Gotha, tendo investido o marido do título de rei, (D. Fernando II) após o nascimento do primeiro filho. O reinado desta rainha foi um período de incessantes lutas civis. Os partidos políticos não compreendiam os princípios liberais e guerreavam-se com cega violência. As revoltas militares, que se seguiam quase sem interrupção, mantinham o País em permanente guerra civil. A revolução de Setembro, a Belenzada (1836), a revolta dos Marechais (1837), os motins do Arsenal, o governo tirânico e perseguidor de Costa Cabral, a revolta de Saldanha (1851) e a reforma da Carta Constitucional (1852), que enfim restabeleceu a concórdia entre os portugueses, são os factos culminantes dessa época agitada. Dotada de altas virtudes e de vontade enérgica, D. Maria II suscitou ódios políticos, mas foi sempre venerada, como esposa e mãe de família, pelos seus mais ardentes adversários. Em 15 de Novembro de 1853 morre em Lisboa, vítima de parto, com o nascimento do seu décimo primeiro filho, tendo sido depositada no jazigo de São Vicente de Fora.

D. PEDRO V
O ESPERANÇOSO
1853 – 1861


Trigésimo rei de Portugal, D. Pedro V nasceu em Lisboa em 16 de Setembro de 1837. Tinha então 16 anos de idade quando, por morte de sua mãe, sobe ao trono, tendo seu pai, D. Fernando II, exercido o governo da nação na qualidade de regente do reino. Em 16 de Setembro de 1855 assume o governo, presidindo nesse mesmo ano à inauguração do primeiro telégrafo eléctrico do País e, no ano seguinte (28 de Outubro), inaugura o caminho de ferro que liga Lisboa ao Carregado. Portugal é, por essa altura, flagelado por duas epidemias, uma de cólera, que grassa de 1853 a 1856, e outra de febre amarela, principalmente em 1856 e 1857. Durante esses anos o rei, em vez de se refugiar percorria os hospitais e demorava-se à cabeceira dos doentes. Em 29 de Abril de 1858, D. Pedro casa com D. Estefânia de Hohenzollern Sigmaringen, que faleceu em 17 de Julho seguinte, vítima de difteria. O jovem monarca foi também vitimado, a 11 de Novembro de 1861, por uma febre tifóide, quando tinha apenas 24 anos de idade. Não deixou descendentes. D. Pedro V teve uma notável preparação moral e intelectual, para o melhor desempenho do pesado encargo que o esperava. Estudara ainda ciências naturais, e filosofia, dominava bem o grego e o latim e estudara também o inglês. Por duas vezes percorrera diversos países da Europa, em viagens de estudo. O seu espírito terá sido muito influenciado pela convivência que teve com Alexandre Herculano, que foi seu educador.

D. LUÍS I
O POPULAR
1861 – 1889


D. Luís nasceu em Lisboa em 31 de Outubro de 1838, tendo sido o trigésimo primeiro rei de Portugal. Por falta de descendência D. Pedro V, seu irmão, D. Luís herdou a coroa em 11 de Novembro de 1861, e foi aclamado rei a 22 de Dezembro desse ano. Em 27 de Setembro do ano seguinte casa com D. Maria Pia de Saboia, filha do rei de Itália Vítor Manuel II. Em 23 de Fevereiro de 1869 foi promulgado um decreto mandado cessar imediatamente o estado de escravidão em todos os territórios portugueses. Nessa época a África desperta o interesse da Europa, tendo-se realizado a célebre Conferência de Berlim ( 1884 – 1885 ). D. Luís I morreu em Cascais a 19 de Outubro de 1889, tendo sido modelo de monarcas constitucionais. O seu reinado foi notável pelo progresso, pela paz social, pela convivência política e pelo respeito pelas liberdades públicas. Nele viveu uma geração notabilíssima de intelectuais. Para os coleccionadores de moedas D. Luís foi, sobretudo o rei numismata. Tendo encontrado no Paço da Ajuda um Gabinete de Numismática, que já existia em 1795, começou a comprar moedas e medalhas para os seus estudos de História, em 1867, adquiriu a grande e bem organizada colecção do Dr. Augusto Carlos Teixeira de Aragão, nomeando-o também Conservador do Gabinete. Esta notável colecção estava aberta ao público no Palácio, e está hoje, conjuntamente com a da Casa da Moeda, mas com registos separados, no ;museu Numismático Português.

D. CARLOS I
O DESVENTURADO
1889 – 1908


D. Carlos I, trigésimo segundo rei de Portugal, nasceu em Lisboa a 28 de Setembro de 1863, tendo casado com D. Maria Amélia de Orleans a 22 de Maio de 1886. Por morte de seu pai, sobe ao trono em 19 de Outubro de 1889. O reinado de D. Carlos foi fértil em dificuldades. Devido à política do Ultramar, com o projecto de unir Angola e Moçambique - conhecido por “ mapa cor-de-rosa” – deu-se o ultimato inglês, de 11 de Janeiro de 1890, que motivou enormes clamores contra a Inglaterra e a aliança inglesa, mas que se reflectiram principalmente contra a monarquia. A 31 de Janeiro de 1891, a revolta que eclodiu no Porto, embora dominada sem dificuldades, contribuiu contudo para um fortalecimento e expansão do partido republicano que a organizara. D. Carlos acabou por morrer assassinado em Lisboa, num atentado de que foi também vítima o príncipe herdeiro D. Luís Filipe, em 1 de Fevereiro de 1908.

D.MANUEL II
1908 – 1910


Trigésimo terceiro rei de Portugal, D. Manuel II era filho de D. Carlos I e de D. Maria Amélia, tendo nascido em Lisboa em 15 de Novembro de 1889. O atentado de 1 de Fevereiro de 1908, em que se sucumbiram seu pai e seu irmão, elevou-o inesperadamente ao trono. Foi um reinado curto e angustioso o deste monarca. Também um desastroso terramoto abala o País em 1909. O jovem soberano soube captar a simpatia e a afeição do povo português, pela sua modéstia e gentileza e pelo desvelado interesse que manifestou de bem desempenhar a sua missão. Mas a 4 de Outubro de 1910, devido á actividade intensa do Partido Republicano, ocorreu em Lisboa um movimento revolucionário, de que resultou a proclamação da República no dia seguinte. D. Manuel refugiou-se o bordo do iate real “ D. Amélia “, no qual seguiu para Gibraltar e daí para Inglaterra. Em 4 de Setembro de 1913 casa com D. Augusta Vitória de Hohenzollern e morre a 2 de Julho de 1932, sem deixar herdeiros. Os seus restos mortais foram transportados para Portugal e encontram-se no Panteão de São Vicente de Fóra.


Textos retirados do Livro Moedas Portuguesas, edição 1996, autor A.Gomes

Ultima actualização feita nesta secção em 06 Março 2003

LIMPEZA DE MOEDAS

É um procedimento que nunca o devemos pôr em prática de ânimo leve. A pregunta é sempre a mesma " tem mais valor uma moeda suja pelo tempo que passou por ela, ou uma moeda limpa e brilhante mas irreparavelmente danificada?". Eu já li noticias sobre coleccionadores que poliram as suas moedas com algodão limpa pratas , outros que até num polidor industrial poliuram toda a sua colecção outros que para arrancar algum verdete ou oxidação das suas moedas lavaram-nas em acido sulfurico , bem os entendidos dissem que desta forma a colecção não tem qualquer valor Numismático.
Estas pessoas agem assim por falta de informação e conhecimento por isso aconselho, que se precisar mesmo de remover sujidade e gordura de algumas moedas, é aconselhável que pratique primeiro com moedas que não tenham qualquer valor.
Eu aconselho que os coleccionadores que queiram limpar as suas moedas comecem por utilizar os líquidos de limpeza de moedas desenvolvidos por fabricantes credenciados como a LINDNER e a LEUCHTTURM, nao tenho qualquer comissão na venda, mas li que eram os mais indicados, mas sigam as instruções de uso, para cada tipo de metal poderão também tentar o liquido nacional MARPAL.
Têm sido divulgadas muitas receitas caseiras na Internet ultimamente, mas como digo se optar por alguma siga também o meu conselho de utilizar moedas repetidas para a experiência .
Outra das grandes asneiras que pelo conhecimento de entendidos não se deve fazer é o envernizamento das moedas , grande parte das pessoas pensa que a envernizar está a proteger a moeda. Mas caso não o esteja a fazer com um verniz neutro e isento de ácidos e oxidantes está sim a danificar o seu numisma .Se pretende envernizar algumas das suas moedas opte por verniz ou solução aquosa protectora desenvolvidas especificamente para a Numismática estas também distribuídas pela LINDNER e a LEUCHTTURM que também tem soluções para a remoção de vernizes nas moedas, mais uma vez volto a dizer que nao tenho nenhuma comissão na venda destes productos, são só conselhos que devem ser divulgados.

Nascimento, Vida e Morte da Moeda Portuguesa (de 1129? A 1999)



Ao ler este artigo da autoria do Sr. Adriano Vasco Rodrigues numa revista, resolvi dar a conhecer a todos os que visitam este meu Blog pois é de louvar o conteúdo de tal trabalho
Portugal conta-se entre os países que produziram uma das mais vasta, ricas e variadas numárias do mundo. Esta posição deve-se, por um lado, à sua História quase milenária e, por outro, a ser percursor da Expansão Marítima Europeia, senhor de um extenso domínio colonial até à data recente.
As moedas destinadas às trocas mercantis e aos pagamentos de serviços, multiplicaram-.se por todo este vasto Império, variando conforme as épocas, os lugares, as mensagens a transmitir, ou as influências recebidas.
Desde o último quartel do século passado, progrediu em Portugal a investigação numismática, iniciada por Teixeira de Aragão com a Descrição Geral e História das Moedas Cunhadas em Nome dos Reis, Regentes e Governadores de Portugal, (1874-80), que, durante dezenas de aos, foi uma obra basilar. Em 1923, o Dr. José Leite de Vasconcelos escreveu Da Numismática Portuguesa, obra à qual, a partir de fiais de décadas de 1940 se iriam juntar as de outros investigadores como Damião Peres, Pedro Batalha Reis, Ferraro Vaz, Costa Couvreur e, mais recentemente, Maria José Pimenta Ferro e Alberto Gomes. Também o nascimento no Porto, da sociedade Portuguesa de Numismática, e a publicação do seu órgão de comunicação, Nummus, foram um forte impulso no progresso desta ciência em Portugal.
A riqueza e variedade da numária nacional levou Pedro Batalha Reis a tentar sistematizar por modelos, os seus caracteres, importado a nomenclatura da História de Portugal e da História da Arte. Assim, chamou-lhe Românico, Gótico, Renascimento, Filipino, Restauração ( de D. João IV a D. Pedro P.R.), Pós Moderno (de D. Pedro II a D. Manuel II ) e contemporâneo (da República Democrática à Nacionalista). No entanto aquele Autor encontrou tais limitações na sua sistematização que teve de recorrer a sub períodos. Assim, no período Moderno considerou o Setecentista (D. Pedro II) ; O Joanino (D. João V); o da Peça (de D. José I a D. Maria II) e o sistema Decimal(de D. Maria II a D. Manuel II). Mesmo assim, esta classificação não satisfaz...
Não é fácil condensar tantos séculos de produção monetária. Por isso, os autores de catálogos de moedas portuguesas, destinados aos coleccionadores, preferem ordená-las historicamente por reinados até ao final da Monarquia e a partir da República, por anos.
O director da revista de Contabilidade e Comércio pede-me uma sintese sobre a história da moeda portuguesa. Tarefa nada fácil... De qualquer modo, não o quero decepcionar e irei elaborar um apontamento muito geral sobre o que mais me impressiona nesta numária, circunscrevendo-me, por agora, as emitidas em Portugal Continental. Dada a complexidade das moedas coloniais portuguesas não as trataremos nesta síntese, nem trataremos as das Regiões Autónomas.
A História das Moedas Portuguesas
As primeiras moedas portuguesas terão sido produzidas ainda no reinado de D. Afonso Henriques, certamente depois de em 1179 Ter sido reconhecido pelo Papa como rei. são pequenos espécimes feitos de bolhão, uma liga de cobre e de prata: o dinheiro e a medalha, esta valendo metade de um dinheiro. O dinheiro continua a tradição do denário romano, que servira de união monetária do vasto Império e que os Bárbaros mantiveram depois da queda de Roma, em espécimes profundamente adulterados. Nos reinos da Europa Medieval corriam moedas idênticas ao dinheiro, que se manteve em circulação até ao final da primeira dinastia portuguesa. A palavra mealha, de onde vem a palavra mealheiro deixou de fabricar-se a partir de D. Afonso II (1211-1223), mas manteve-se engenhosamente na prática. Como a mealha era metade de um dinheiro, ao precisarem dela para trocos, cortavam aquele em duas metades... Essas moedas de bilhão tinham numa das faces a Cruz da Ordem do Templo. A partir de D. Sancho I, a cruz passou a ser cantonada por quatro cravos, evocando a que teriam pregado Jesus. Descobrem-se também nestas moedas os chamados sinais ocultos destinados a impedir a falsificação. Este tipo de moeda, como dissemos, foi comum aos reinos e condados da Cristandade. Os nossos dinheiros sofreram influência de um modelo borgonhês trazido pelos que vieram para a Península lutar contra os Muçulmanos, integrando as Cruzadas do Ocidente.
No tempo de D. Afonso Henriques continuavam a circular moedas romanas, denários e áureos, assim como moedas leonesas e muçulmanas, estas últimas principalmente de prata e ouro, os dirheme e o dinar.
Os morabitinos são uma resposta à moeda de ouro muçulmana, o dinar. A descoberta de ouro nos túmulos egípcios, na sequência da expansão árabe trouxe um afluxo daquele metal precioso para a Europa, com reflexos nos reinos muçulmanos da Espanha. Isto teve repercussões nos Estados Cristãos.
O morabitino continuou a fabricar-se nos reinados nos reinados de D. Afonso II e D. Sacho II tendo reduzido o seu formato e terminado as emissões naquele reinado.
A partir de D. Afonso III aumentou consideravelmente a produção de dinheiros de bolhão, o que ficou a dever-se à política económica deste rei, criado feiras e mercados. Também D. Dinis continuou esta política incrementando o número de feiras e aumentando os privilégios aos feirantes e o numerário em circulação, indispensável ao comércio. Criou uma moeda de prata, o tornez decorado no anverso com uma cruz feita com cinco escudetes e no reverso pela cruz dos Templários, que neste reinado foram integrados na Ordem de Cristo, nascida por iniciativa de D. Dinis. Nos reinados seguintes continuam a fabricar-se dinheiros de bolhão, o que mostra a carência de metais nobres em Portugal. No tempo de D. Afonso IV, o dinheiro +assou a ser conhecido por alfonsim.
A primeira grande revolução numária portuguesa ocorreu com D. Fernando, no final da Primeira Dinastia. O cronista Serevim de Faria esclarece:
“Quando El-Rei D. Fernando fez a guerra de Castela serviam El-Rei D. Henrique, o obre (Castelhano) muitos soldados franceses que vinham armados de celadas, a que eles chamavam barbudas e traziam lanças com pendões, que chamavam graves; e traziam consigo pages para as celadas, a que chamavam pilares. E querendo El-Rei deixar memória desta empresa pôs estes nomes e insígnias nas moedas, que mandou lavrar de novo.”
Porém , esta operação não foi limpa e ficou conhecida por operação das barbudas. Ainda hoje, a palavra ser para designar um lucro não honesto. O rei com uma moeda velha conseguia fazer várias das novas moedas, usado uma liga de cobre e prata, o bolhão. Por vezes a moeda de cobre levava só um banho de prata. Cada uma das novas e brilhantes moedas valia entre sete a nove das velhas, feitas só de prata. O Rei com esta operação arruinou muitos dos seus vassalos pois fez moedas de grande preço e de pouco peso com a agravante de serem ligadas (Sousa Viterbo), isto é, serem feitas de uma liga e não de prata.
Chama-se barbuda ou celada ao elmo com viseira caída. Foi o reinado de D Fernando que pela primeira vez foram vistos em Portugal cavaleiros com o rosto coberto de ferro.
Dentro da série de barbudas aparecem submúltiplos, as meias barbudas e os quartos de barbuda. Para recordar os escudeiros que vinham com os cavaleiros barbudos, o Rei cunhou o pilarte. Para distinguir os porta-bandeiras fez bater o grave, no anverso do qual imprimiu um F significado Fernando e, no reverso, as armas do rei. Pela primeira vez, a cidade do Porto emitiu moeda; graves meias, meias barbudas, barbudas e tortezes, identificados pela letra P no campo do anverso. A D. Fernando deve-se o forte de prata, que valia cento e vinte dinheiros e tiha as dimensões da barbuda. Neste reinado aparece também o real de prata que valia cento e vinte dinheiros. Porém, o mais interessante na série fernandina são as cunhagens de ouro, a dobra-gentil, em que o Soberano aparece sentado no trono em atitude majestática e a outra moeda, a dobra-pé-terra, onde se vê D. Fernando em atitude bélica, levando a mão direita erguido o gládio. Rara é uma dobra-gentil emitida no Porto.
D. Beatriz, filha de D. Fernando e casada com D. João Ide Castela, cunhou em Santarém um real de prata com a sua efígie e no reverso, as armas de Leão e Castela e as de Portugal. A partir de D. Fernando o rela passou a ser uma constante na numária portuguesa, praticamente uma moeda de conta ou de referência.
D. João, Mestre de Avis, filho ilegítimo de D. Pedro I, alcançou o poder dando o que tinha e prometendo o que não tinha ( Fernão Lopes). Deixou uma vasta e variada Dinastia. Mandou bater moedas de prata, de bolhão e de cobre. Os reais pretos forma a primeira moeda portuguesa de cobre. Mandou cunhar os quartos de real de dez soldos em bolhão e outras moedas em liga como o rela branco, o que expressa a desvalorização da moeda. Vencida a crise e estabilizado o reino forma emitidas moedas de prata, o real de dez soldos e o real de dez reais brancos. O real preto aparecido em 1415, altura da conquista de Ceuta tinha escrito Adjutorium nostra, significando Senhor, sê nosso auxilio.
O inicio da expansão ultramarina portuguesa, em 1415, foi memorizado com a criação de uma nova moeda, o ceitil de ( Ceuta). Os primeiros aparecem com a abreviatura de João ( IHNS), coroada e com a legenda em caracteres arábigos. Na série joanina predominam as moedas conhecidas como reais que expressam a sucessiva desvalorização da moeda de prata e de bolhão. São o real preto, o real cruzado, o real branco, o real de dez soldos. O real de prata nasceu com D. Fernando numa época de crise. Com este real se pretendia criar uma moeda credível, uma espécie de moeda de conta, o que não deve confundir-se com moeda de conto, ou coto para contar, de que falaremos adiante.
O Porto continuou a cunhar moedas. Também os sinais ocultos persistem nesta numária.
Os sucessores de D. João I prosseguiram com estas emissões, privilegiando os reais e os ceitis. No reverso destes continuara a imprimir os castelos de Ceuta e o mar. D. Afonso V introduziu uma nova moeda, o espadim de prata. No campo vê-se uma mão segurando uma espada pela lâmina. Outra moeda foi o chinfrão, equivalente a doze reais brancos. É de prata mostrando no anverso a coroa real e a letra A (Afonso). O real grosso lembra o chinfrão mas é de maior diâmetro. Foram também emitidos reais de prata. Neste reinado aparece pela primeira vez o escudo e o meio escudo em ouro, possivelmente por inspiração francesa. O de D. Afonso V é conhecido como escudo de Toro, pois liga-se à pretensão deste rei de Leão e Castela e à batalha de Toro. São belas peças que mostram os benefícios alcançados com a expansão ultamarinna. O ouro veio inicialmente da Mina, de Cantor, de Arguim, da Serra Leoa, da Guiné e de Sofala. Os portugueses pretendiam, contornado a costa Nororeste da África chegar aos grandes mercados auríferos, que desde o Sudão vinham até à bacia do Níger e eram animados pelos muçulmanos e tinham nascido sob égide dos grandes Impérios africanos. Infelizmente quando os portugueses levantaram a fortaleza da Mina, registava-se já o esgotamento da exploração do ouro e a decadência dos mercados ocidentais muçulmanos, que entretanto se deslocaram para o Egipto e Médio Oriente. Quanto à prata, a maior quantidade veio da Alemanha no séc. XVI, em troca da pimenta e de outras especiarias e do açúcar da Madeira.
A maior inovação no domínio numismático foi o cruzado de ouro, assim chamado pela representação de uma cruz simples no reverso. D. Afonso V, ao lançar esta moeda, pretendeu bater os ducados italianos, imprimido-lhes maior toque e gravado-lhe a cruz em resposta ao apelo à Cruzada contra os Turcos pregada pelo Papa Calisto III. Sem o ouro de Aguim não teria sido possível fabricar estas moedas.
Com D. João II nasceu o vintém conhecido igualmente por real. Valia vinte reais brancos e eram de prata. Em ouro cunhou o justo, que apresenta no reverso o Rei sentado no Trono, empunhando a espada da Justiça. Conhece-se um exemplar raríssimo do justo cunhado no Porto. A época de D. Manuel I marca o apogeu da Expansão Marítima. O que se reflecte na variedade e riqueza dos espécies numismáticos, comprovando a estabilidade monetária portuguesa que se acentuou a partir de D. Afonso V e perdurou por mais de oitenta anos.
Os ceitis de cobre com os castelos e o mar de Ceuta continuaram a ser produzidos em grande variedade. O real de cobre aumentou de tamanho e o cinquinho de prata, uma pequena moeda com variantes circulou ao lado de meio vintém de prata e do vintém de prata, identificado o reinado pelo M coroado.
Uma novidade de então foi o índio de prata, uma moeda que evoca a descoberta do caminho marítimo para a Índia. No anverso apresenta o escudo real, e, no anverso, a cruz da Ordem de Cristo financiadora da expansão portuguesa.
o português de ouro continuou a emitir-se vigoroso, regulando o curso monetário no norte da Europa até quase aos finais do Séc. XVI.
D. Sebastião aumentou o numário de cobre e de prata(tostões e meios tostões) e continuou a produzir moedas de ouro, S. Vicentes.
Com D. Henrique, após Alcácer Quibir, começou a decadência, cunhando-se apenas moedas de prata.
Em 1580, antes da União das duas Coroas e o domínio filipino, Portugal teve à frente um grupo de Governadores, que emitiu reais e tostões de prata e uma moeda de 500 reais de ouro.
D. António Prior do Crato foi apoiado pelo sentimento independentista do Povo ao reivindicar o Trono de Portugal chegado a ser aclamado Rei. Cunhou moeda de cobre em Angra do Heroísmo e de prata em Lisboa (vinténs e tostões). Mandou contramarcar moedas de reis anteriores, imprimindo-lhes a figura de um Açor. Filipe II ao herdar, comprar e conquistar Portugal, reinando de facto, mandou destruir as moedas de D. António.
Antes de passar à Dinastia Filipina quero fazer uma referência às moedas de conto, ou contos para contar, que apareceram no reinado de D. Afonso III (1248-1279), exactamente aquele em que o comércio em Portugal se começou a desenvolver com as feiras e mercados e os concelhos ganharam mais autonomia passando a Ter representação nas Cortes. Estes contos para contar persistiram desde D. Afonso III até ao reinado de D. Sebastião. Qual a importância destas pseudo-moedas?
Durante a primeira Dinastia e grande parte da Segunda, os cristãos não usavam os algarismos árabes. As operações eram feitas segundo o sistema romano do ábaco ou contador. A introdução dos algarismos árabes permitiu a rapidez das operações, especialmente através da numeração decimal. Os Judeus usavam nos seus cálculos os algarismos árabes, o que lhes dava vantagens e rapidez nas operações levando a que os cristãos considerassem que dispunham dum segredo cabalístico... A introdução dos algarismos árabes em Portugal foi tardia, ocorrendo praticamente só o séc. XVII. Até lá, para fazer os cálculos financeiros, usavam o ábaco e peças metálicas semelhantes a moedas, chamadas contos para contar, ou moedas de conto. A sua colocação no ábaco correspondia a valores convencionais. Estas peças monetiformes eram feitas de cobre ou de latão e podemos considera-las como antepassados da contabilidade mecânica...
A utilização dos algarismos árabes operou uma verdadeira revolução na contabilidade pública e privada. O sistema do ábaco e o seguimento dos algarismos romanos foram os responsáveis pela decadência financeira de Portugal a partir de D. João III que levou ao encerramento da feitoria da Flandres devido aos onerosos erros de cálculo cambial. A má gestão da casa da Índia deveu-se à incapacidade de controlo contabilístico e financeiro por falta duma contabilidade capaz. Curiosamente, só a partir de D. João IV (1640-1656) os algarismos árabes apareceram nas moedas portuguesas, inclusivamente contramarcando as moedas de ouro e prata de Segunda Dinastia e alterando-lhes o valor nominal em algarismos.
Os contos para cotar assemelham-se às moedas correntes as sua época, mas distinguem-se bem. Oportunamente, a partir de D. João II, a esfera armilar irá figurar no reverso destas peças ao longo de vários reinados.
Ao Filipes cunharam moedas de prata ( vinténs e tostões) e cruzados de ouro.
A revolução de 1640 pôs no troo o Duque de Bragança, que continuou a cunhar moedas de prata e cruzados também de prata. Esta moeda manteve-se até á última dinastia e evoluindo com a adopção do sistema decimal do reinado de D. Maria II. D. João IV produziu também moedas de ouro, cruzados ( um, dois e quatro). No seu reinado, a Senhora da Conceição foi consagrada Padroeira de Portugal, pelo que lhe dedicou uma moeda-medalha de prata conhecida por Conceição. D. João IV retomou a série das moedas de cobre, reis e reais, interrompida pelos Filipes.
D. Afonso Vi prosseguiu idêntica política embora o seu tempo a quebra da moeda, levasse a contramarcar com um cunho ou carimbo os espécimes em circulação, alterando-se o valor. Isto se fez principalmente com as patacas espanholas.
Com Pedro II ainda Regente, as moedas começaram a ser serrilhadas por cunhagem mecânica. Procurou-se assim evitar que as moedas de prata e de ouro fossem cerceadas. Como o seu corte era irregular, os agiotas limavam-nas retirando-lhes a prata, ou ouro em pó, reduzindo o seu valor intrínseco.
O cruzado de prata distingue-se como uma das mais belas moedas portuguesas, quer pelos cunhos quer pelas dimensões. As faces mostram no anverso, as armas reais e, no reverso a cruz de Cristo com a legenda adoptada já desde o tempo de D. João III: IN HOC SIGNO VINCES (com este sinal vencerás!).
D. Pedro ainda regente, cunhou também moedas de ouro mas o período mais brilhante da nossa numária em termos auríferos, foi o período de D. João V, devido à exploração das minas do Brasil. No reinado de D. João V continuaram a cunhar-se moedas de cobre e de prata por processos mecânicos. Nessa altura aparece a maior e mais pesada moeda portuguesa de ouro , o dobrão que valia 24.000 réis e se subdividia no meio dobrão. Estava ornamentada com a cruz de Cristo, canhonada por quatro MM ( Minas Gerais). Cunhou também moedas do Rio de Janeiro, Baía, Lisboa e Porto: cruzadinhos de ouro, os escudos, os meios escudos, meias peças, peças e dobras. A execução dos cunhos da série de escudos, que acompanham estas moedas, é de grande perfeição e beleza.
D. José I continuou com a cunhagem de cobre e prata, limitado a de ouro às peças, mais peças, escudos, quartinhos e cruzados novos de ouro, conhecidos por pintos, que são as mais pequenas moedas de ouro daquele tempo.
Sua filha D. Maria I continuou a bater algumas destas moedas de ouro, a mais pequena o cruzado de ouro e a maior a peça. Porém, a decadência aurífera tinha começado. As séries de prata prosseguem limitadas aos tostões, vinténs e cruzados de prata. Dos vinténs o mais falado foi a pequena moeda de três vinténs, que, pela sua dimensão levou a ser comparado na linguagem popular à virgindade feminina. Perde-la era perder os três vinténs.
A decadência da exploração das minas de ouro do Brasil ocorreu ao mesmo tempo que se registava em Portugal e nos nossos territórios um crescimento considerável do comércio e dos encargos do Estado. A consequência imediata da queda da exploração aurífera reflectiu-se na diminuição do fabrico da moeda de ouro e da sua ausência na circulação. Tal facto levou a que fosse contraído um empréstimo de doze milhões de cruzados entre 1756-1757, ao juro de 5 a 6%. Esta situação levou à emissão de Apólices do Real Erário, com valores que iam desde 1.200 réis até aos 20..000 réis. Durante quase dez anos, o total das apólices equivaliam a moedas de metal nobre e podiam ser transaccionadas como tal. Porém meses depois da emissão, passaram a ser impostas como moeda, embora sujeitas a uma taxa de desconto. Com estas apólices nasceram as notas de Banco. Será uma ideia original portuguesa? Não. O papel moeda apareceu na China cerca de 860 anos a. C., embora o seu período mais famoso fosse o de 1368 a 1393, d. C., na época Ming.
As notas de Banco são documentos à ordem, isto é, constituem uma de promessa
pagamento em dinheiro com real valor intrínseco e convencional, ouro ou prata, ao portador daqueles documentos ou notas. Na Europa foi a Suécia o primeiro emissor. O Banco da Suécia que as emitiu em 1661, anos depois ia à falência porque as notas não tiveram garantia do Erário Nacional. O primeiro banco que emitiu de forma permanente estes documentos foi o Banco de Inglaterra, a partir de 1694.
As apólices portuguesas do real Erário a que me referi, eram garantida por duas assinatura e rubrica. Levavam a data de emissão 1797 ou 1798, e o valor em mil réis, afirmando-se que No Real Erário se há-se pagar ao portador desta apólice de hoje a hum anno (a quantia indicada) e o seu competente juro...
O primeiro Banco criado em Portugal e seus territórios, data de 1808, na regência de D. João VI.
As evasões napoleónicas, a fuga da família real para o Brasil e a Guerra Peninsular lançaram Portugal numa grave crise política, económica e social, que levou à Revolução de 1820, à Independência do Brasil em 1822 e à Guerra Civil entre Liberais e Absolutistas, que embora tendo terminado em 1834, deixou instabilidade político-partidária e confrontos até meados do Séc. XIX.
D. Pedro IV e D. Miguel continuaram com as cunhagens mecânicas de cobre, prata e ouro, semelhantes às de seu pai, D. João VI. Nestes reinados distinguem-se os pesados patacos (40 réis) de bronze, tão pesados que serviram de arma de arremesso...
Em 1829 os refugiados liberais fundiram em Angra do Heroísmo, a partir de um sino, uma grosseira moeda de 80 réis, em nome da Rainha D. Maria II. Esta moeda ficou conhecida por maluco. Variada foi a série de D. Maria II, iniciada durante o cerco do Porto com moedas de cobre, quando a casa da moeda funcionava em 1833 no Convento de Santo Elói, situados no largo dos Lóios. O escudo que se vê no anverso das moedas de cinco, de dez réis e do pataco apresenta ao alto dois ângulos pelo que ficou conhecido por pataco dos bicos. Mais tarde, em 1847, para regularizar a circulação dos patacos imprimiram-lhes um carimbo circular com as letras G.C.P., que significam Governo Civil do Porto. Desde o reinado de D. João V que não se cunhavam moedas no Porto.
Em 1835, D. Maria II, pela lei de 24 de Abril, adoptou o sistema decimal, passando a haver moedas de 5, 10, e 20 (vintém) réis, de cobre e tostões de prata no valor de 100, 200, 500 e 1000 réis de prata. Em ouro coroas (5.000 réis), meias coroas e um quinto de coroa.
D. Pedro V cunhou moedas de cobre mas somente usou a prata e o ouro.
d. Luís I relançou a moeda de cobre e continuou as emissões de prata e ouro. Com D. Car4los I desapareceram de Portugal as cunhagens de moedas de ouro. Porém, no seu reinado iniciou-se em 1898 a pratica das moedas comemorativas, ao assinalarem o IV Centenário da descoberta do caminho Marítimo para a Índia.
D. Manuel II contida com esta pratica, homenageando em 1910 o Marquês de Pombal e lembrando a guerra Peninsular. A partir de então criou-se em Portugal o hábito das moedas comemorativas. Hoje, o nosso pais é aquele onde mais se cultiva e abusa dessa pratica, mantida pelo consumo dos coleccionadores o que leva a condenáveis especulações...
A Implantação da República deu lugar a que se cunhassem novas moedas sem interromper o sistema decimal. Na altura da Primeira Guerra Mundial. 1914-1918, aparece em Portugal, em 1917 a moeda de um centavo de bronze e a de 4 centavos em cuproníquel.
Em 1918 emite-se uma moeda de dois centavos de ferro. A crise financeira provocou em 1924 o nascimento da moeda de um escudo de prata, emitidas sob a égide da República Portuguesa em 1914 ( comemorativa do 5 de Outubro) e as de 1915 e 1916.
Em 1928, o Estado Novo lançou uma moeda de dez escudos de prata, para comemorar a Batalha de Ourique. Seguiu-se, de 1939 a 1948, um série de moedas de prata com o mesmo toque de 835 mm, comprovando o ressurgimento financeiro. A partir dessa data multiplicam-se as moedas comemorativas em prata e cuproníquel. Depois do 25 de Abril continuam as emissões especiais, distinguindo-se as consagradas ao Descobrimentos Portugueses.
O decreto-lei 293/86 de 12 de Setembro introduz um novo sistema de moeda mecânica em que predominam espécies de latão-níquel e cuproníquel, desaparecendo praticamente de circulação a moeda de prata.
Durante o Estado Novo cunharam-se também moedas de cobre e de alpaca.
O papel-moeda surgiu como dissemos com as apólices de finais do Séc. XVIII. O Banco de Lisboa emitiu notas e ordens em reis, no Séc. XIX. Foram porém os Bancos do Norte de Portugal que apresentaram maior variedade de notas, a partir de 1836: Banco Comercial do Porto, Banco Mercantil do Porto, Banco União do Porto, Banco do Minho. Na última década do Séc. XIX, o Banco de Portugal emitiu notas de 200, 500, 1000, 2500, 5000, e 10000. A partir de 1891 lançou notas de papel com o valor em prata e também com o valor em ouro de 10.000, 16.000, 20.000 e 50.000 réis. A casa da Moeda, em 1891, emitiu cédulas com valor – bronze de dez centavos. Em 1918, com valor de cinco centavos e, em 1992, com valor cuproníquel de vinte centavos. O Banco de Portugal, em 1917, passou a emitir notas no valor de um escudo, 50 centavos, 2 escudos e 50 centavos, cinco escudos, dez escudos, vinte escudos e cinquenta escudos.
Durante o Estado Novo e depois do 25 de Abril continuaram as emissões de notas, normalmente sob a evocação de uma figura histórica. A nota portuguesa de valor nominal mais elevado é a de dez mil escudos. A sua última emissão data de 20 de Maio de 1996 e evoca o Infante D. Henrique. Uma anterior foi consagrada, em 1989, ao prémio Nobel da Medicina, Professor Egas Moniz.
A crise financeira, que se seguiu à Guerra de 1914-18, levou durante a Primeira República, a que as Câmaras Municipais e algumas empresas, para superarem a falta de numerário, emitissem cédulas de papel ou, como aconteceu em Vila Nova de Gaia, moedas de louças...
A passagem na ponte de D. Luís pagava portagem, quer no período Monárquico, quer durante a Primeira República. Era uma moeda metálica.
Com a adesão de Portugal ao Euro, em 1999, consequência da entrada de Portugal na União Europeia, morreu a moeda portuguesa, como se tivéssemos regressado ao tempo dos romanos quando uma única moeda circulava no vasto império... As últimas emissões de 1998, incluem uma moeda consagrada à EXPO no valor de 200 escudos e outra à Ponte Vasco da Gama no valor de 500 escudos. Estas previstas, para encerrarem estas emissões portuguesas, uma moeda comemorativa do ano Internacional dos Oceanos e outra dos 500 anos das Misericórdias Portuguesas. Espera-se em 1999 uma moeda consagrada à UNICEF, outra ao Milénio Atlântico e também aos Descobrimentos Portugueses. Estes numismas irão marcar o estertor da longa vida de 800 anos da moeda portuguesa...
Notas documentos e bibliografias
Alguns autores consideram que Afonso Henriques após a Batalha de S. Mamede, travada contra a sua mãe, em 1128, teria imediatamente cunhado moeda. Penso que não podemos aceitar esta opinião, que vai contra o condicionalismo financeiro da época, em que o garante fundamental era o Imperador, título reclamado pelo rei de Leão, Afonso VII. Mesmo depois de este Ter em 1143 reconhecido Afonso Henriques como Rei, põem-se problemas sobre a garantia da cobertura das moedas em circulação. São variados os tipos de exemplares atribuídos a D. Afonso Henriques, nos quais vemos no anverso um báculo, ou uma cruz longa, ou a cruz da Ordem do Templo. Os reversos apresentam na maior parte dos casos a cruz dos Templários e nos mais raros uma estrela de cinco pontas. Muitos dos numismas atribuídos a D. Afonso Henriques foram encontrados em locais onde os Templários tiveram castelos. Isto levanta o problema das relações entre estes achados e a presença templária. O Papa tinha uma palavra muito importante a dizer na República Christiana em matéria monetária, reconhecendo aos soberanos o direito de cunhar moeda. Não esqueçamos que se está em pleno apogeu da teocracia Papal. Penso que será legitimo considerar só o verdadeiro nascimento da moeda portuguesa, como nacional. A partir de 1179, ano em que o Papa enviou a D. Afonso Henriques uma bula reconhecendo-o como rei.
Durante o Governo de Afonso Henriques, a partir da sua libertação da tutela da mãe, as moedas correntes em Portugal continuaram a ser as que circulavam no Condado Portucalense e no Reino de Leão, no qual se integrava.
Dinheiro:
- A palavra vem do latim denárias, uma moeda romana que nasceu no tempo da República e cujo valor era de dez asses. Foi esta a origem da designação de dinheiro que atribuída a qualquer porção de moeda legal.
Ter muito ou pouco dinheiro.
Desde o reinado de D. Afonso Henriques e mais contritamente de D. Sancho I até ao reinado de D. Manuel I, esta moeda teve diferentes valores e tipos. Inicialmente foi uma unidade monetária. Doze dinheiros valiam um soldo e vinte soldos valiam uma libra. Com D. Duarte um dinheiro valia tanto como um preto, isto é, um décimo do real. Três dinheiros valiam um ceitil. A fim de extinguir a confusão que se gerou, o Rei D. Manuel I acabou com esta moeda, propondo que o nome dinheiro se mudasse para ceitil.
Maravedil ou Maravedi:
_ mesmo que morabitino.
As fontes históricas e as moedas:
- Et homo de Aguarda Qui habuerit mulierem de benedectione si eam laxaurit, pectet I denarium ad iudicem et si mulier laxauerit suum maritum. Quem habuerit ad benedictiones, pectet CCC solidos, medietem ad palacium et medietem ad suum maritum. ( Homem da Guarda que abandonar a mulher estado casado com benção da Igreja paga um dinheiro ao Juiz e a mulher casada nas mesmas condições, se abandonar o marido paga 300 soldos, dos quais metade para o marido. Isto mostra a influência da sociedade islâmica da época, em que a mulher era considerada inferior ao marido).
- Ex de carrega de portatico de pedone tres mealias et de caulo I soludum et de mulo I solidum et de asino et de boue VI denarius. ( De portagem, carregados, o peão pagava três mealhas, o cavalo um soldo, a mula um soldo e o burro e o boi seis dinheiros).
- Et nom detis pro collecta nisi LX morabitinos una uice in anno. ( Et nom dedes por coleyta senon Lx maravedis 1 vez no anno = e não pagueis por colheita mais do que 60 maravedis, ou morabitinos por ano).
Ligas:
- A primeira liga usada em Portugal foi o bolhão, uma liga de cobre e prata, que entrava no fabrico do dinheiro.
Passou a dizer-se que a prata era de tantos dinheiros, quantas eram as partes da prata pura que se misturavam na liga.
Depois da adopção em Portugal do sistema decimal passou a dizer-se que a prata é tantos milésimos, isto é, quantos são os de prata pura que entram na liga. Depois da segunda metade do séc. XIX, o toque legal da prata amoedada era de 916 milésimos, o que corresponderia a onze dinheiros.
Noticia de Viterbo sobre o maravedil:
De Fr. Joaquim de Santa Rosa de Viterbo – Elucidário...
- Maravedil, maravedim, Marabitino e Morabitino. Estes são os nomes mais ordinários desta moeda que, em nossos documentos se encontram. Os menos triviais são: marabotino, marabetino marabocino, marabutino, marabotino, marabatino, marbotino, marabetino, marapetino, maurobotino, morabidino, morobatino, e também mauro, membro e almoravidil. Com toda esta variedade se escreveu o nome desta moeda que, segundo o padre Mariana, L. de Ponder et Monsur., cap. 23, já ficou em Espanha do tempo dos reis godos, e antes que nela entrassem os Mouros. Descobrir a verdadeira origem deste nome, não é cousa fácil. Dizem que o grande Bocharto, versadíssimo nas línguas orientais, morreu de um acidente de apoplexia, quando mais embebido estava na indagação deste nome. Sabemos, contudo, não Ter fundamento algum os que derivam do Botino dos Mouros, como se os maravedis fossem Maurorum, seu Marranorum spolia. Não ignoramos que os Morabetinos eram povos da Arábia, da seita de Ali, genro de Mafona, cuja seita era oposta a de Omar. Estes passaram para África, e muitos anos depois para Espanha. E destes Morabetinos se persuadem alguns que se originou o maravedil espanhol quem, em arábigo, se diz marabertin; e que dos descendentes dos Morabitinos ainda hoje se conservam alguns no reino de Argel, Tunes e Trípolis, q que chamam Marabutis, que professam as ciências e virtudes morais. Mas também será dificultoso trazer destes Morabitinos a etimologia dos nossos maravedis, pois esta seita não passou a Espanha antes de 1085, em que o rei de Sevilha os chamou por auxiliares contra D. Afonso VI, que então reinava, como diz Pelágio, bispo de Oviedo, apud Dufresne, v. Almoravides e v. Amoravii. E nem a persuasão do padre Risco, no tomo XXXV, da Espanha Sagrada, de que antes de 1020 se não acha em Espanha documento algum. Que fale em maravedis, é atendível, pois na adopção original feita à Igreja e Mosteiro de Santo André de Souselo, no de 870, a qual se guarda em Pendorada, se lê: Et Qui istum placitum excesserit, pariet parte de quis isto placito observaverit X. bobes de X. morabidinos, et judicato. Acha-se esta verba no compromisso, que os filhos dos doadores fizeram em beneficio da mesma igreja, no de 874, escrevendo-o no mesmo pergaminho e ao através da doação de seus pais. Daqui se vê que mais de duzentos anos antes que os Morabitinos entrassem em Espanha, havia moravídis nas terras, que hoje são Portugal.
Correndo o tempo, diz Covarruvias in veterum Collat. Numismatum, cap. I, que se deu o nome de maravedil a umas moedinhas de cobre tão miúdas, que só valiam duas Brancas, ou seis Coroados, ou Dez Dinheirinhos ( que fazem hoje 4 réis de Portugal), e que, deste modo, ficou sendo o Maravedil novo Non tam numus, quam numorum numerus.
Mas, prescindindo dos maravids de Hespanha, assim antigos, como modernos, nos princípios ou talvez antes mesmo da nossa monarquia, corriam maravidis d’ouro, que hoje teriam de valor intrínseco mais de 500 réis, e se chamaram, ao depois, maravidís alfonsis, por serem do tempo d’el-rei D. Afonso I.
Em todo este tempo, e ainda no século XIII, corriam maravedis de prata que, ao depois, se chamaram maravidís velhos, a respeito dos que depois se cunharam com diferente valor e feitio. Por estes maravidís de prata se faziam, regularmente, todos os contratos e emprazamentos, nos quais se declarava se eram maravidís novos ou velhos.
...
Com todas estas mudanças chegaram os maravidís de prata até fins do século XV.
Moeda de Cobre:
Deve-se a D. João I a utilização do cobre puro no fabrico de moedas, essencialmente dinheiros. No tempo de D. Duarte, o dinheiro valia um décimo de real ou um preto. O marco de cobre valia à volta de trinta réis. D. Manuel I com um marco de cobre produzia 120 ceitis, isto é, 20 reais. No reinado de D. João III, um marco dava lugar a produzir 128 moedas.
Com D. Sebastião aparecem as primeiras moedas de 5 reis. Com um marco deviam produzir 160 reais, o que não aconteceu porque segundo a Lei de 22 de Outubro de 1566, o real devia pesar 72 grãos. Por isso, com o marco faziam apenas 64 moedas. Isto deu lugar a que o real tivesse um valor intrínseco diferente das moedas de cobre de cerca de três e de cinco reis a três quintos do seu valor.
Como dissemos atrás no texto, houve depois de D. Sebastião até D. João IV, um período em que não nos aparece moeda de cobre. Com a Restauração restabeleceu-se nas moedas de três e cinco reis o valor que lhe fora atribuído no reinado de S. Sebastião. Contudo, com a Lei de 23 de fevereiro de 1654, foi reduzido o seu valor e restaurado depois pelo regente D. Pedro.
Antes de D. Sebastião houve uma indeterminação em relação ao valor do cobre, que passou a Ter mais estabilidade com este Rei, embora não tivesse havido uma harmonização perfeita entre o valor convencional da moeda e o valor intrínseco, isto é, o peso do numisma.
A Lei de 11 de Julho de 1560 de D. Sebastião, fez com que o marco produzisse 32 moedas de cinco reis, o que correspondia, com uma diferença de 11% ao aumento do valor intrínseco correspondente às moedas de cobre que correram em meados do Séc. XIX.
Desde 1752, até ao final do ano de 1870, a Casa da Moeda de Lisboa cunhou 62.012.003 de moedas de cobre de 3,5,10 e 20 reis.
Moeda de Sola:
Na tradição popular de alguns lugares da Beira, ouvi falar de moedas de sola que teriam corrido nos tempos antigos em Portugal. Quando era jovem e comecei a coleccionar moedas, disseram uns homens que tinham trabalhado na abertura de um poço em Logroiva, concelho da Meda, que tinham encontrado ali moedas de sola, mas que estavam tão frágeis, que pouco depois se desfizeram. Perguntei-lhes se não seriam de metal, muito atacado. Responderam com convicção que lhes pareceram de sola. Nunca mais encontrei ninguém que me tivesse afirmado Ter encontrado moedas deste material. Porém, Joseph Soares da Silva, nas “Memórias d’el-rei D. João I” (Vol. I, pág. 198) diz que há memória antiga que affirma que no sitio de Lisboa, consumida a moeda que havia e faltando-lhes os metaes de que fabricar outra, ElRey a mandou fazer de sola, e ninguem duvidava acceitalla, eenfim correra, até que depois elle mesmo a fizera reduzir a moeda corrente de ouro, prata e cobre.
Em nenhum outro autor se encontra esta referência e também, até ao momento presente, este fabrico não encontrou testemunho fiável. Deixamos aqui apenas para informação, esta breve nota.
Moeda Cruzado:
A origem desta moeda portuguesa está na queda de Constantinopla, em 1453, quando os Turcos ocuparam a igreja de Santa Sofia e ameaçaram ocupar a Europa. O Papa Calisto III pregou uma cruzada contra os Turcos, a que respondeu D. Afonso V, prometendo enviar 12.000 homens pagos à sua custa, durante um ano. O Rei português mandou em memória desta empresa, como nos recorda Mariz, na sua Historia, lavrar nova moeda d’ouro que lhe vinha da mina da Costa da Guiné, que o Infante D. Henrique seu tio descobriu e negociara; e pôs-lhe nome Cruzados, que foram os primeiros neste Reyno e do mais fino ouro sobido em toda perfeição, mais que todos os ducados da christandade: pera que por terras tao apartadas, que elle havia de passar nesta empreza, estimassem muito a sua moeda, o que dantes não fazia.
Porém D. Afonso V não participou na cruzada. Em 1457, um delegado do Papa veio a Portugal trazer a bula da Santa Cruzada. O Rei preparou-se para responder ao apelo mas entretanto morreu o Papa. Os outros reis da Cristandade não responderam àquele pedido.
D. Afonso fez o mesmo mas decidiu aplicar o espirito de cruzada na luta contra os muçulmanos do norte de África, o que lhe mereceu o título de africano.
Na realidade parece que a moeda cruzado de ouro só na altura da sua campanha de Marrocos, iniciada com a sua entrada em Alcácer, foi cunhada. A ideia fundamental do nascimento desta moeda era fazer concorrência as estrangeiras de ouro.
D. João II e D. Manuel cunharam cruzados de ouro com igual peso e toque, embora D. Manuel I lhe elevasse o valor a 390 reais e tornado o cruzado um décimo do português. Em 1517, elevou o valor do português a 4.000 reis e também o do cruzado a 400 reis.
D. João III manteve os cruzados com 22 1/8 quilates.
Filipe II de Espanha e I de Portugal lavrou cruzados com menor peso.
Vida longa tiveram os cruzados de prata, iniciados por D. Manuel I, continuados por D. António Prior do Crato, D. João IV, D. Afonso VI e D. Pedro II com valor de 400 reis. Pela Lei de 4 de Agosto de 1688 mandou D. Pedro II aumentar de 20% o valor destas moedas, passando o cruzado a valer 480 reis (cruzados novos). Já no tempo de D. Afonso IV o cruzado tinha recebido um aumento de 25% do seu valor (Lei de 22 de Março de 1663) carimbados com uma marca de 500 reis.
Dobrão:
Nome dado às grandes moedas de ouro, mandadas lavrar por D. João IV, com o pezo de uma onça: augmentativo de dobra.
A dobra de oito escudos, cuhada em virtude da lei de 4 de Abril de 1722 chamava-se já, na lei de 29 de Novembro de 1732, dobrão: “considerado que sem embargo das repetidas leis e providencias, com que em diferentes tempos se tem procurado evitar o cérceo e mais vícios da moeda, continuam no tempo presente com maior excesso, principalmente nos dobrões de 12:800...”.
Em Minas, por provisão do Conselho Ultramarino de 20 de Março de 1727, lavraram-se também dobrões ou dobras de 8 escudos, tendo pezo de uma onça, e o valor nominal de 12:800 reis. Foi suspensa a circulação d’esta moeda pela citada lei de
4 de Abril de 1722, tornando a ser admitida, com o valor de 16:000 (duas peças) por lei de 21 de Julho de 1847, deixando de Ter curso legal por lei de 29 de Julho de 1854.
Dobrão de vinte e quatro mil reis:
Por carta régia e 29 de Março de 1720, el-rei D. João V derrogou a lei de 29 de Fevereiro de 1719: “ na parte sómente que concedia no destricto de Minas corresse o ouro em pó.” Determinado por essa ocasião que se cunhasse moeda de ouro, similhante à de reino, com a marca monetária respectiva. Em virtude d’esta ordem, estabeleceu-se em Villa-Rica uma casa moeda, onde se bateram os dobrões grandes e os meios dobrões, valendo os primeiros 24$000 reis, e os segundos metade.
Por lei de 6 de Março de 1822 os dobrões de 5 moedas deixaram de ser moeda corrente; novamente admitidos como moeda legal, por lei de 21 de Julho de 1847, foram mandados carimbar com o escudo das armas no centro do reverso, correndo por então 30$000 reis: em 29 de Julho de 1854 novamente deixaram de ser moeda corrente.
O pezo d’esta moeda, que não é já muito vulgar, é de 15 oitavas; o ouro é de 22 quilates ou 916 millesimos; entram 4 4/15 em marco.
Anv. - Ionnes V.D. G. Port et Alg. Rex. - No campo, o escudo real, acostado do valor nominal - 20000-,e de rosetas.
Ver. - In * hoc * signo * vinces * 1725 - No campo, a cruz da Ordem de Christo cantonada das letras monetarias - MM - (Minas).